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Londres 2012

Ramadã deixa atletas olímpicos muçulmanos em dilema

Organização olímpica afirmou que jejum é uma escolha pessoal feita pelos atletas

Ramadã deixa atletas olímpicos muçulmanos em dilema
Mohammed Ahmed pretende quebrar o jejum durante as Olimpíadas e refazê-lo após as competições (Reprodução/Internet)

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Para os mais de 3 mil atletas e funcionários muçulmanos que irão participar dos Jogos Olímpicos de Londres, o jejum de Ramadã se torna um desafio para o treinamento atlético. O jejum envolve falta de comida e água durante o dia, que pode durar até 17 horas na Grã-Bretanha.

Entre os atletas muçulmanos nas Olimpíadas  está  Mohammed Ahmed, um corredor de 10 mil metros e Khaled Belabbas que está competindo na corrida de obstáculos. “Não será uma novidade para mim”, disse Belabbas.

Porém, alguns participantes muçulmanos sentiram que tinham que fazer concessões. Ahmed, por exemplo, vai quebrar o jejum durante as Olimpíadas, mas vai compensar com dias extras de jejum após o Ramadã. O marroquino Mohammed Sbihi  também vai quebrar o jejum, enquanto compete nos Jogos Olímpicos. Após uma consulta com um clérigo islâmico, ele optou por doar 60 refeições para os pobres, em compensação para cada dia do Ramadã que não jejuar.

A nadadora Sara Bekri também foi outra atleta muçulmana, que optou por não jejuar durante o Ramadã. “A nossa capacidade física é, sem dúvida, prejudicada”, disse. “Estamos divididos entre o desejo de respeitar um dos cinco pilares da nossa religião e a necessidade de chegar em Londres na melhor condição física possível para competir na Olimpíada.”

Esta não é a primeira vez acontece um conflito entre religião e esporte. Eric Lindell, um cristão devoto, desistiu de uma corrida de 100 metros, nas Olimpíadas de 1924, por ser domingo. Já o judeu Sandy Koufax se recusou a participar do primeiro jogo da World Series em 1965,  para o Los Angeles Dodgers, pois a estreia coincidiu com o dia de Yom Kippur.

De acordo com a porta-voz dos Jogos Olímpicos de Londres, Joanna Manning Cooper,  há seis anos que os organizadores sabiam sobre isso e o convite aconteceu porque a organização sempre acreditou que haveria uma solução. O Comitê Olímpico Nacional recusou um pedido feito pela Comissão de Direitos Humanos islâmica 6 anos atrás, para remarcar os jogos de acordo com o Ramadã, alegando que o evento  é uma organização desportiva secular e que o jejum era uma escolha pessoal feita pelos atletas individualmente. O então presidente do COI, Ronald Maughan, disse: “Alguns atletas muçulmanos dizem que têm até um melhor desempenho durante o Ramadã, mesmo que estiverem em jejum, porque ficam mais intensamente focados e porque é um momento muito espiritual para eles.”

 

Fontes:
Al Arabiya News - Ramadan coincides with Olympics, leaving Muslim athletes in a dilemma

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2 Opiniões

  1. Rudy Lang disse:

    Não entendo. Allah não pode dar uma ajuda para superar a falta de alimentos?
    Será que esse pessoal religioso não entende que não dá para fazer omelete sem quebrar os ovos?
    Eles que tomem a sua própria decisão e não joguem o seu problema para cima do comitê olímpico.

  2. Luiz Mourão disse:

    “Ahmed, por exemplo, vai quebrar o jejum durante as Olimpíadas, mas vai compensar com dias extras de jejum após o Ramadã”: essa frase diz tudo!!
    Religião, e sua PRÁTICA, é mera CONVENIÊNCIA PESSOAL: quando CONVÉM, as coisas podem ser diferentes; quando NÃO CONVÉM, não o são…
    Bem dizia Hitchens: religião envenena tudo!!

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