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Imperador D. Pedro II, Lisboa, 1876 (foto: Alfred Fillon)
Exposição

Rara oportunidade para conhecer a família imperial e nossa História mais de perto

Retratos herdados por Dom João Orleans e Bragança poderão ser apreciados no Instituto Moreira Salles, de 22 de fevereiro a 29 de maio. Uma mesa-redonda abre a exposição. Por Solange Noronha

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Princesa Isabel e conde dEu no exílio, Castelo dEu Normandia, França, 1919 (foto: P. Gavelle)

Princesa Isabel e conde dEu no exílio, Castelo dEu Normandia, França, 1919 (foto: P. Gavelle)

A exposição “Retratos do império e do exílio — Imagens da família imperial brasileira no acervo de Dom João de Orleans e Bragança” já é, em si, um evento especial. Melhor, só com a mesa-redonda que marcará sua abertura no Instituto Moreira Salles do Rio de Janeiro, na Gávea, nesta terça-feira, dia 22, às 20h. O tema é “O imperador D. Pedro II e a fotografia brasileira no século XIX” e os participantes serão Pedro Afonso Vasquez e Joaquim Marçal, dois experts no assunto, o próprio Dom João de Orleans e Bragança e Sergio Burgi, coordenador da área de fotografia do IMS, que atuará como mediador. Este evento tem acesso limitado, mas a exposição estará aberta ao público até 29 de maio, entre 13h e 20h, de terça a sexta-feira, e das 11h às 20h, aos sábados, domingos e feriados.

Família imperial reunida no castelo de Normandia, França, 1918 ( foto: P.Gavelle)

Família imperial reunida no castelo de Normandia, França, 1918 ( foto: P.Gavelle)

João de Orleans e Bragança explica como e por que cedeu a herança de família: “Emprestei o acervo ao IMS, por cinco anos, porque lá eles têm carinho pelo material fotográfico e as condições técnicas de que ele precisa para sobreviver. A fotografia necessita de luz, temperatura, umidade e papel adequados, entre outras coisas. As fotos não se encontravam nas condições ideais de armazenamento, estavam se deteriorando. Estou sendo pragmático. Gosto tanto do material que tinha que entregá-lo para garantir sua preservação.” Embora seja também fotógrafo e tenha “o que falar do material”, ele diz: “Na mesa-redonda, vou atuar mais como mediador, ao lado do Sergio. O Pedro e o Joaquim é que são os especialistas.”

Sergio Burgi conta que há muito mais do que o que será mostrado nesse primeiro momento, com a exibição de 150 dos 781 itens cedidos ao Instituto em regime de comodato: “Haverá outras exposições. O material inclui negativos de vidro do início do século passado, com registros da geração da família que nasceu na França, e documentos do século XIX — da Guerra do Paraguai e da Abolição da Escravatura, por exemplo — que estendem sua importância para o aspecto político-social. O IMS tem áreas climatizadas e com segurança para garantir a integridade do acervo. Tudo fica sob controle e recebe tratamento individual de recuperação, reprodução e divulgação.”

Ênfase no retrato fotográfico

A relevância “dos textos e diários da época, que dialogam com as imagens” e como o novo acervo pode “enriquecer outros projetos e acervos do IMS, como o de Marc Ferrez, e também dialogar com eles” são outros aspectos destacados por Sergio, que diz: “Tanto a mesa-redonda quanto esta exposição e o pequeno catálogo que publicamos, com 45 imagens, têm ênfase no retrato fotográfico e no que ele representa naquele momento, que é emular a imagética do retrato a óleo da nobreza.”

Fotógrafo, pesquisador e autor de 23 livros, Pedro Vasquez conheceu João de Orleans e Bragança quando começou a preparar “Dom Pedro II e a fotografia no Brasil”, que pôs em evidência o fato de o imperador ter sido o primeiro fotógrafo de nacionalidade brasileira. “Mas sua verdadeira importância”, diz Pedro, “foi ter sido um grande colecionador e um homem generoso, pois, mesmo banido do país, ele se preocupou em doar sua coleção para o povo brasileiro. Dom Pedro tinha visão e, além de mecenas, foi um pioneiro internacional do colecionismo da fotografia, para a qual não se dava muita importância naquela época.”

A maior parte da doação feita por Dom Pedro II está na Biblioteca Nacional, onde Joaquim Marçal foi chefe da Divisão de Iconografia. Marçal — que é também professor de fotografia na PUC e na Candido Mendes e autor de “História da fotorreportagem no Brasil: a fotografia na imprensa do Rio de Janeiro de 1839 a 1900” — lembra que o acervo é reconhecido pelo Programa Memória do Mundo, da Unesco, e ressalta: “O Brasil tem uma coleção que nenhum outro governante no mundo construiu. Ela é extremamente abrangente e ainda há muito a ser estudado ali. Até hoje nossa História trata a monarquia com uma visão superada, há um ranço que atrapalha. É muito bom esse novo movimento em torno das fotografias de Dom Pedro. Está na hora de questionar e balançar cânones, fazer uma reflexão historiográfica e retomar o projeto de resgatar este material tão importante.”

Princesa Isabel, Rio de Janeiro, 1870 (foto: Joaquim Insley Pacheco)

Princesa Isabel, Rio de Janeiro, 1870 (foto: Joaquim Insley Pacheco)

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  1. Cláudio Hauenstein disse:

    Hoje, presenciando estas fotos, e podendo admirar obras como a do Asilo Padre Cacique e do Hospital Psiquiátrico São Pedro, ambas inauguradas pela Princesa Isabel, esposa do Conde D’Eu, segunda mulher a dirigir a Nação Brasileira, (até porque, antes tivemos a honra de ter como primeira mandatária do nosso país a Imperatriz Leopoldina, “coroada em terra distante”, posso bem me questionar: – o que tem feito a república pelo Brasil senão escândalos e injúrias à terra que uma dia, foi sonhada por D. João VI como o centro de um vasta Império!!!!!! Que lamento! Que tristeza! Que escândalo!!!!!! Porém disso tudo podemos concluir que o tempo seja o nosso maior mestre, (embora termine por matar tosos os seus discípulos), porém não pode deixar olvidar às gerações vindouras que, a tal da república, por mais que tentasse denegrir a imagem dos nossos monarcas, não conseguiu derrubar a VERDADE ACERCA DA POSSIBILIDADE DO IMPÉRIO DO BRASIL. D. João VI não era porco não. E, ao invés de ficar retirando “coxinhas de galinha” dos bolsos, iniciou seus ideais fundando o Banco do Brasil e tantas outras instituições que a tal república não conseguiu destruir. = O holocausto de 1889 DEVE ser mostrado a todo tempo e à toda evidência, para reavivar o pensamento quçá das gerações que, … um dia, poderão fazer este gigante acordar.

  2. girlane bernardo almeida disse:

    adorei as fotos muito rica

  3. Hilder disse:

    Sem dúvida que essa é uma exposição que obrigatoriamente tem que percorrer todas as capitais do Brasil

  4. Maria do Carmo Adão disse:

    Lamentavelmente não existem na grande maioria das capitais do nosso país Institutos como o Moreira Salles que tenham condições tecnicas para garantir a sua conservação para um acervo dessa envergadura! Mas vale a pena ir até o Rio para apreciar essa coleção maravilhosa!

  5. Helio disse:

    D. Pedro era um homem moderno para o seu tempo. Bom que a sua paixão pela fotografia foi herdada ou esse descendente que nos lega essa exposição. Imperdível.

  6. Laerte Santos disse:

    Sugiro que essa exposição percorra todas as
    capitais brasileiras. Pois ele governou todo
    o país e não só o Rio de Janeiro. Ficarei muito alegre e todos os brasileiros do modo
    geral. Agradeço antecipamente Laerte do Recife.

  7. Elisa A disse:

    E a Belo Horizonte?

  8. Markut disse:

    Resta perguntar quando essa exposição virá a São Paulo.