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Era do Photoshop

Retoques digitais: Improbabilidade física

Alguns países estudam formas de regular as alterações em fotografias ou colocar avisos avisando que imagem foi retocada

Retoques digitais: Improbabilidade física
Algumas fotos retocadas se tornam anatomicamente impossíveis (Reprodução/The Economist)

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As belas pessoas retratadas nos periódicos populares não são reais. Elas podem ter começado como documentação fotográfica da realidade, mas depois que os retoques digitais deram um jeito nelas, a suavidade da pele, proporção do corpo, e grau de voluptuosidade mostrados podiam muito bem ter saído da caneta de um animador. A cirurgia plástica digital tem sido criticada como causadora de efeitos nocivos na saúde mental dos leitores, levando a anorexia, bulimia, suicídio e outras doenças. A Associação Americana de Medicina, em junho, condenou alterações extremas em fotografias.

O professor Hany Farid, um cientista de computadores no Dartmouth College em New Hampshire, e seu estudante de doutorado Eric Kee, estão investigando as particularidades dos retoques fotográficos. Eles desenvolveram uma expressão matemática para determinar a quantidade de seios inflados e cinturas afinadas. Seu artigo, publicado na última segunda feira, 29, na Proceedings of theNational Academy of Sciences, descreve como eles usaram modelos matemáticos combinados com reações humanas subjetivas para chegar a uma pontuação que indica o quão radicalmente a imagem de uma pessoa foi modificada a partir de uma fotografia original.

Farid diz que Kee reuniu cerca de 450 exemplos de “antes e depois” de fotografias que mostram retoques, encontradas em sites que documentam gafes em fotografias de revistas de moda (que as revistas normalmente alegam ser legítimas) e retocadores anunciando seus serviços. Ele disponibiliza exemplos dessas imagens em um site, incluindo algumas que mostram corpos modificados que são anatomicamente impossíveis.

Os algoritmos dos pesquisadores analisam duas formas diferentes de alterações: geométricas, nas quais os retocadores aumentam seios, alteram pernas, alongam pescoços e assim por diante; e alterações fotométricas, que envolvem alterar o tom da pele, remover manchas e rugas e suavizar a pele. Os resultados desses algoritmos são números de 1 a 5, com 1 sendo o menos modificado e 5 o mais.

A posição de Farid está na ciência computacional, mas seu interesse é nas mudanças sociais. Ele propõe que as revistas adotem voluntariamente um código no qual seu resultado algorítmico seria mostrado ao lado de fotografias modificadas, possivelmente com um texto explicando os detalhes dos tipos de mudanças encontrados. Farid diz que um ponto de referência objetivo remove a agitação das discussões acerca do tópico, e pode dar a revistas um objetivo de reduzir os retoques se a extensão de seus esforços for exposta numericamente.

O professor não está pensando tão alto quanto se pode pensar. A Autoridade para Normas Publicitárias no Reino Unido vetou em julho anúncios de uma produtora de cosmético por retoques excessivos. A Noruega está considerando impor regulações ou avisos junto a imagens modificadas, a França considerou marcar as fotografias e um grupo nos Estados Unidos está pressionando por restrições.

Fontes:
The Economist - Physical implausibility

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