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Roberto Alvim é o novo secretário de Cultura

Em setembro, Alvim ganhou as manchetes por atacar Fernanda Montenegro. Ao comentar a nomeação, Bolsonaro alfineta a classe artística: ‘Deve ficar feliz, aí’

Roberto Alvim é o novo secretário de Cultura
Alvim é alinhado ideologicamente com governo Bolsonaro (Foto: Ronaldo Caldas/ASCOM/Ministério da Cidadania)

O dramaturgo Roberto Rego Pinheiro, mais conhecido como Roberto Alvim, diretor da Fundação Nacional de Arte (Funarte), é o novo secretário de Cultura do governo Bolsonaro.

Ele foi nomeado pelo presidente Jair Bolsonaro (PSL) na última quinta-feira, 7. O nome de Alvim foi publicado em uma edição extra do Diário Oficial da União.

O dramaturgo é a terceira pessoa a assumir a Secretaria de Cultura no governo Bolsonaro. Na manhã de quinta-feira, através de um decreto, Bolsonaro retirou a Secretaria de Cultura do Ministério da Cidadania e a transferiu para o Ministério do Turismo.

Em setembro, Roberto Alvim ganhou as manchetes por conta uma controversa crítica dirigida à atriz Fernanda Montenegro, à qual chamou de “sórdida”.

A crítica foi em resposta a um ensaio fotográfico do qual a atriz era destaque, que tinha como foco críticas aos ataques do governo atual à cultura e à educação. No ensaio, Fernanda Montenegro aparecia vestida de bruxa, amarrada sobre uma pilha de livros. O ensaio era para a Quatro Cinco Um – uma revista mensal de críticas literárias.

A postagem de Alvim foi rechaçada pela classe artística e por grande parte da opinião pública, que saiu em defesa de Fernanda Montenegro. Diante da visibilidade alcançada pela polêmica, Alvim fez uma nova postagem, na qual reafirmou as afirmações anteriores e elevou o tom das ofensas, afirmando ter “desprezo” pela atriz, chamando-a de “mentirosa”. Na nova postagem, Alvim saiu em defesa de Bolsonaro, criticou Gramsci e rechaçou as acusações de grosseria contra a atriz.

“Fernanda MENTE escandalosamente, deturpa a realidade de modo grotesco, ataca o Presidente e seus eleitores de modo brutal, e EU sou grosseiro e desrespeitoso”, diz ele na postagem.

Desde então, Alvim começou a receber mais atenção ainda. Apenas nos últimos dias, pelas redes sociais, ele dirigiu críticas à TV Globo; compartilhou postagem de Olavo de Carvalho em defesa de Bolsonaro e contra os “traidores”; repostou uma imagem compartilhada por Carvalho onde a oposição é classificada como “terroristas” e “adeptos”; compartilhou uma foto com Allan dos Santos, fundador do Terça Livre e acusado de ser um dos principais disseminador de fake news; entre outras coisas.

Na noite da última quinta-feira, Bolsonaro falou sobre a nomeação de Alvim. Ciente da controvérsia do novo secretário de Cultura com a classe artística, o presidente afirmou que a classe “deve ficar feliz” com a escolha par a secretaria. Ademais, Alvim deve receber ainda mais poder. Isso porque Bolsonaro afirmou que o novo secretário terá autonomia para nomear em órgãos ligados à Cultura.

“Está na mão de um tal de Roberto Alvim. Porteira fechada para ele.  A classe artística deve ficar feliz aí, Lei Rouanet, vem muita coisa boa por aí”, afirmou Bolsonaro a jornalistas quando questionado quem comandaria a Funarte. O maestro Miguel Proença, ex-presidente da entidade, foi demitido por Bolsonaro na última terça-feira, 5.

O presidente tornou a abordar a nomeação de Alvim, em uma transmissão ao vivo nas redes sociais, na qual disse ser a favor da uma “cultura sadia”, sem detalhar o que queria dizer com isso.

“Ninguém mais do que nós quer uma cultura sadia para o Brasil. Sadia, deixar bem claro, que atenda os interesses da maioria população”, disse Bolsonaro.

Dramaturgo e autointitulado cristão, nacionalista e conservador, Alvim chegou ao posto de diretor do Centro de Artes Cênicas da Funarte em junho deste ano, a convite de Bolsonaro.

No pouco tempo em que permaneceu no cargo, Alvim foi alvo de protestos da classe artística. Uma das principais críticas foi contra sua proposta de transformar o Teatro Glauce Rocha, no Centro do Rio de Janeiro, no “primeiro teatro do país dedicado ao público cristão”.

A proposta foi anunciada em outubro e, conforme noticiou a Veja, despertou reação da classe artística. No dia 7 de outubro, um grupo de 50 artistas protestaram em frente ao teatro, pedindo por um Estado laico e com cartazes que diziam “Teatro não é igreja”.

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Fontes:
G1-Bolsonaro escolhe dramaturgo Roberto Alvim como secretário de Cultura
O Globo-'A classe artística deve ficar feliz aí', ironiza Bolsonaro após nomear Roberto Alvim para Cultura

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1 Opinião

  1. Roberto Henry Ebelt disse:

    Depois da péssima notícia promovida ontem pelo STF legislador, uma boa notícia finalmente. Chega de FERNANDAS MONTENEGROS.

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