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São Paulo recebe obra gráfica de Carlos Scliar

Após vernissage para convidados nesta terça-feira, exposição fica aberta ao público do próximo dia 9 até 8 de janeiro de 2012, na Caixa Cultural da Av. Paulista. Por Solange Noronha

São Paulo recebe obra gráfica de Carlos Scliar
Artista gaúcho morou no Rio e em São Paulo (Divulgação)

“Um cidadão espetacular”; “um artista de vanguarda que deixou de lado esta imagem para ser o representante da consolidação do mercado de arte brasileiro”; “integrante de uma geração que sabia a importância do que fazia, que tinha um projeto cultural para o Brasil e a ideia clara de que estava construindo o país”.

As palavras acima são algumas das muitas usadas pelo curador Marcus Lontra Costa para definir Carlos Scliar (1920-2001), que ele conheceu na juventude, quando nasciam as associações de amigos e o artista plástico foi chamado para presidir a do Parque Lage, à época em que também surgia a Geração 80: “Muita gente não dá a ele a importância devida”, diz Marcus. “Talvez porque produzisse demais e sonhasse ter um quadro seu em cada casa. O Scliar dizia que precisava criar. E ele é uma referência. Subverteu as regras do modernismo como só um brasileiro conseguiria fazer.”

Em “Carlos Scliar, da reflexão à criação”, Marcus leva para a Caixa Cultural SP parte significativa da obra gráfica produzida pelo artista ao longo de seis décadas: “A exposição é uma recuperação do que o Brasil tem de melhor e que devemos aos artistas e intelectuais do início do século XX e seu sonho de acreditar na nossa História e na construção de um país legal.” É assim que Marcus vê o diálogo de Scliar com nossa condição e se encanta com seu jeito de tentar pôr ordem no caos, “visível, por exemplo, na série de telhados de Ouro Preto”.

Variações sobre o mesmo tema

Outros temas foram recorrentes na obra do gaúcho que morou no Rio e em São Paulo, foi à Guerra com a FEB, correu mundo e finalmente fixou-se entre a citada cidade histórica mineira e a fluminense Cabo Frio: “Scliar mostrava a evolução e a questão cronológica das coisas, que reciclava, recriava. Dizia que pintava flores como quem faz ginástica”, conta Marcus, “para aquecer a mão e produzir ‘a quente’. As novidades iam surgindo devagarzinho. Só comparando os quadros de uma séria se veem as diferenças, o exercício não teórico, o gesto.”

Mais uma vez, surge a ideia do construtor: de um país, de uma sociedade — e de formas, é claro. “Em qualquer técnica, em qualquer período de sua vida, Scliar é o artista do método e da métrica e essencialmente gráfico. A linha é o elemento que organiza a sua aventura artística. A partir dela, de seus vetores, Scliar constrói formas, acrescenta cores, desenvolve a sua poética particular. Para ele, o Brasil é assunto permanente”, diz o curador. “Como disse o Rubem Braga numa crônica, sua geração estava construindo ‘o passado de amanhã’. E, nessa nova estrutura que estava sendo forjada, Scliar era um dos grandes e inovadores organizadores de ideias e espaços.” Quem estiver na capital paulista tem até 8 de janeiro do ano que vem para conferir.

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