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Seis hábitos de algumas das mentes mais criativas da história

O caminho para a grandeza parece ser repleto de pequenos rituais ( e um pouco de abuso de substâncias)

Seis hábitos de algumas das mentes mais criativas da história
O café é a substância mais presente na vida dos escritores. Balzac chegou a tomar 50 xícaras por dia (Reprodução/Internet)

Acordar cedo

Uma das grandes mentes americanas, o escritor Ernest Hemingway acordava todos os dias às 5h30, mesmo se tivesse se embebedado na noite anterior. Embora isso não seja regra — Proust, ao contrário, costumava acordar no mínimo às três da tarde –, os madrugadores geniais formam uma maioria clara e incluem Mozart, Georgia O’Keeffe e Frank Lloyd Wright.

Para alguns, acordar às 5 da manhã é uma necessidade: a única maneira de combinar a sua escrita ou pintura com as demandas de um trabalho. Para outros, é uma maneira de evitar a interrupção: durante as primeiras horas da manhã, dizia Hemingway, há paz: “Não há ninguém para perturbá-lo e se você sente frio, escrever começa a aquecê-lo”. Há um outro argumento em favor de levantar cedo que pode persuadir os céticos: a sonolência no início da manhã pode ser realmente útil. Em um ponto em sua carreira, o romancista Nicholson Baker passou a acordar às 4 da manhã. Ele gostou do que isso lhe proporcionou: “A mente está limpa e fresca, mas também confusa … eu escrevia de forma diferente”, disse.

Não desistir do trabalho que paga as contas

Kafka, que encaixava o hábito de escrever entre as 22h e o início da madrugada, odiava o escritório e queria uma vida simples. Mas ele foi um dos muitos artistas que prosperou em  atividades criativas nas bordas de uma vida agitada por um trabalho funcional. Kafka era funcionário de uma empresa de seguros. Já TS Eliot trabalhava no banco Lloyds, garantindo uma segurança financeira que foi crucial para que ele pudesse escrever. William Carlos Williams, um pediatra, rabiscava poesia nas costas dos seus blocos de receita.

Tempo limitado concentra a mente e cria a autodisciplina necessária para fazer um trabalho artístico. “Eu acho que ter um emprego é uma das melhores coisas do mundo que poderia acontecer comigo”, escreveu Wallace Stevens, um executivo de seguros e poeta. “Ele introduz disciplina e regularidade em minha vida.”

O poder das caminhadas

Tchaikovsky acreditava que ele tinha que dar passeios de exatamente duas horas por dia e que, se ele voltasse mesmo alguns minutos mais cedo, grandes infortúnios se abateriam sobre ele. Não há falta de evidências que sugerem que a caminhada — especialmente caminhar em ambientes naturais– está associada ao aumento da produtividade e proficiência em tarefas criativas. A quase onipresença do hábito de andar entre grandes mentes é impressionante. Estava presente nas rotinas diárias de compositores, incluindo Beethoven, Mahler, Erik Satie e Tchaikovksy, por exemplo.

Atenha-se a um cronograma

Patricia Highsmith, entre outros, comia praticamente a mesma coisa em cada refeição, no seu caso, bacon e ovos fritos. Gustave Flaubert acordava todos os dias às 10h e conversava com a sua mãe no quarto antes de fazer qualquer coisa. Le Corbusier acordava sempre às 6h para fazer 45 minutos de ginástica. Cada um tinha um cronograma, que cumpriam com uma regularidade franciscana. De acordo com a lenda, os vizinhos de Immanuel Kant poderiam ajustar seus relógios por sua caminhada de 15:30. Esse tipo de comportamento parece exigir níveis de autodisciplina intimidantes, mas muitas vezes são uma espécie de rede de segurança.

Abuso estratégico de substâncias

Quase todas as substâncias químicas foram testadas em algum momento ou outro para estimular a criatividade: Auden, Ayn Rand e Graham Greene tomavam benzedrina, enquanto o matemático Paul Erdös usava ritalina. Inúmeros outros bebiam vodka, whisky ou gin ou drogas mais pesadas. Mas o consumo de só uma substância tem sido praticamente uma unanimidade entre as mentes brilhantes ao longo dos séculos: o café. Beethoven, Kierkegaard e Balzac eram viciados. A cafeína é conhecida por ajudar a manter com um foco, apesar de reduzir a proficiência em tarefas mais imaginativas. Mas se isso é verdade, os criativos têm um jeito de burlar a regra. Balzac chegou a tomar 50 xícaras de café por dia, embora valha lembrar que ele morreu de insuficiência cardíaca aos 51 anos.

Aprenda a trabalhar em qualquer lugar

Uma das crenças que mais pode atrapalhar a criatividade é a ideia de que é preciso encontrar exatamente o ambiente certo para poder começar a trabalhar.”Por anos, eu disse que se eu pudesse encontrar uma cadeira confortável, eu iria rivalizar com Mozart”, lembrou o compositor americano Morton Feldman.

Durante os anos mais produtivos de Jane Austen na década de 1810, ela escreveu principalmente na sala de estar da família, muitas vezes com sua mãe costurando ao lado. Continuamente interrompida por visitantes, ela escrevia em pedaços de papel que poderiam ser facilmente escondidos. Agatha Christie tinha problemas intermináveis com os jornalistas, que queriam fotografá-la em sua mesa, o que era um pedido problemático porque ela não tinha mesa. Qualquer superfície estável o suficiente para suportar  sua máquina de escrever era o suficiente.

Fontes:
The Guardian-Rise and shine: the daily routines of history's most creative minds

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2 Opiniões

  1. Alexandre Boratto do Vale disse:

    Esqueceram do genial compositor e musico” Frank Zappa ” que praticamente não comia, e vivia à base de cafe e cigarros, como também nosso mestre da musica ” Villa Lobos ” que escrevia sua musica primorosa no chão da sala cercado de crianças fazendo algazarra.

  2. Luis Barati Silva disse:

    Cafeína é a droga essencial, estou consumindo agora. Outra é o vinho. Escrevi textos influenciado por Baco, que relidos mais tarde, duvidei da própria autoria.

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