Presidente da GOL acaba de comprar a Passaredo Linhas Aéreas. Por Leandro Mazzini
Incríveis avanços tecnológicas não significam a morte de tecnologias anteriores
Nelson Mandela assumiu o cargo em 9 de fevereiro de 1994
Ponto alto da visita é assistir o pôr do sol. Por Fernanda Costta*
Além de ter o primeiro título no cinema, livros de Stieg Larsson viraram minissérie
A Opinião Pública da semana é de Vanderlei Alves P. Junior
Tragédia provoca debate sobre a eficiência dos processos de licenciamento e fiscalização
Sinais não-verbais podem nos ajudar se os identificarmos
Documentário é uma emocionante sinfonia de som e imagem
Obras no Rio se tornaram caso de polícia. E achar um culpado vai ser difícil. Ai se eu te pego!
Ahmadinejad sabe que as sanções têm objetivos imediatos, mas também de longo prazo
Programação no Rio sofre uma reviravolta após desabamento de prédios ao lado do Municipal
Com um temperamento musical e um carisma artístico que são ouro puro, o maestro Roberto Minczuk está plasmando espetacularmente a Orquestra Sinfônica Brasileira.
A demonstração ideal foi dada neste domingo, no Teatro Municipal do Rio de Janeiro, com uma das Suítes do "Cavaleiro da Rosa", de Richard Strauss, música que solicita em grau estonteante as possibilidades de opulência orquestral e envenenada riqueza harmônica a que chegou a música européia na passagem do século XIX para o XX.
Minczuk modelou as melodias irresistíveis sem precipitação no ardor nem queda de energia na delicadeza, enveredando com uns suspenses e retenções de virtuose pela orgia de perfumes e cores dos momentos privilegiados da ópera.
A resposta dos músicos ao elã do regente rendeu frutos de transparência dos naipes e magnífica flexibilidade no inebriante maelstrom de sonoridades straussianas. Com cordas tão sedosas, sopros tão precisos e eloqüentes, foi como uma tarde em Viena.
Era o verdadeiro 'star act' de um concerto oficialmente de homenagem a Kiri Te Kanawa, que continua linda e recatada, e mereceu do público do Municipal, que adora adorar, a habitual ovação de pé, acompanhada de clamor vocal.
A soprano neo-zelandesa, uma das vozes mais deslumbrantes e fonogênicas do último quartel do século XX, montou um econômico recital de uma dezena de 'hits' de seu repertório mais plácido e mavioso, preocupada em favorecer os registros mais preservados da voz.
Boa parte de sua irradiação de estrela emana, agora mais que nunca, do 'poise' tão tipicamente anglo-saxônico: atitude de esplendorosa dignidade, mãos recolhidas permanentemente no ventre, jogo de sedução pudica na expressão facial.
Claro que ela merece uma ovação, e foi engraçado ver como, ao fim de dois ou três extras, não só conseguiu dar mais corpo ao timbre ("O mio babino caro"…) como se sentiu meio obrigada – com um rápido e estranho episódio de mímica brejeira 'carioca' – a responder no mesmo diapasão aos apelos entusiásticos do público.
Este ficara um pouco a ver navios na véspera, quando outra estrela planetária – a violinista coreano-americana Sarah Chang – recusou-se a oferecer números extras depois de sua nocauteante interpretação do Concerto em sol menor de Max Bruch.
No esplendor de seus 27 anos, Chang toca com concentração e dedicação que se diriam 'orientais', e um engajamento físico que certamente contribui para a sonoridade intensa que extrai do instrumento. De particular encanto era, desde o primeiro movimento, a amplitude do registro grave, quase próximo do de uma viola.
Nesse Concerto de generoso lirismo e exaltado arrebatamento, ela mostrou pureza e paixão conjugadas a um mesmerizante senso cavaleiresco da narrativa. Na elegia do Adágio central, a violinista parecia embriagada de pura beleza tonal, entrando na vivacidade do último movimento com um ímpeto conquistador que uma ou outra vez literalmente lhe empurrava o corpo, obrigando-a a se suster com um passo para trás.
Acompanhava-a uma Orquestra Petrobras Sinfônica dos grandes dias, sob a regência de um eficiente mestre-de-capela do circuito alemão, Othmar Mága, que fechou a noite com magnífica versão de um dos mais belos poemas sinfônicos do mesmo Richard Strauss, "Morte e transfiguração".
Nessa evocação poético-pictórica dos episódios de uma vida que chega ao fim, com o muitas vezes reiterado motivo do "Ideal" – uma das mais gloriosas melodias jamais inventadas -, o septuagenário Maga não só contornou os riscos de queda no mau gosto (especialmente nos metais) como mostrou, sem nada ficar devendo ao quarentão Minczuk, como e por que Strauss é o compositor erótico por excelência.
Veja aqui a programação da semana em São Paulo e no Rio de Janeiro.