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‘Streaming’ e pirataria foram golpes decisivos no setor da música

O consumo de música barata por 'streaming' e a pirataria ameaçam a sobrevivência do setor fonográfico e comprometem a renda de profissionais da área

‘Streaming’ e pirataria foram golpes decisivos no setor da música
Pirataria e 'streaming' online de músicas tiveram um custo alto para os artistas (Foto: Flickr)

Há dois meses Geoff Barrow, o instrumentista do Portishead, um grupo premiado de rock inglês, disse no Twitter que 34 milhões de streams de suas músicas só lhe haviam rendido £1,700 (US$2,604) depois do pagamento de impostos. Sarcasticamente, ele aplaudiu a Apple, o YouTube, o Spotify e sua gravadora, a Universal, por “vender nossa música tão barato”.

Algumas pessoas questionaram as cifras de Barrow, mas ninguém sugeriu que a banda ganhara mais de um décimo de um centavo por cada música. Além disso, poucos artistas chegam a fazer tanto sucesso como o grupo Portishead, o que indica uma difícil sobrevivência financeira para os artistas.

Não há um final feliz para essa história. A pirataria disseminou-se, com a consequente diminuição em longo prazo das vendas de CDs, enquanto as lojas digitais, como o iTunes da Apple, permitem a venda de músicas de uma maneira fragmentada. A combinação dessas forças significou a sentença de morte dos álbuns no formato físico, que proporcionaram altas margens de lucros às gravadoras e estimularam o consumo de música em discos, LPs, fitas cassetes e CDs.

A nova geração de consumidores dos serviços de streaming, como Spotify, em geral não pirateiam música, mas, por outro lado, como sugeriu Barrow, não pagam caro para ouvi-la. A mudança provocada pela pirataria em grande escala teve um custo muito alto para o setor fonográfico, as lojas de discos e os artistas.

Fontes:
The Economist - From rock to crock

1 Opinião

  1. Silvio Ribeiro disse:

    O artista era quem mais deveria ganhar, pois sem o seu trabalho, não haveria música à venda.

    Concordo, mas haveremos de verificar que o massacre dos artistas da música iniciou-se com a chegada do CD. As milhares de lojas de vinil, uma em cada esquina de São Paulo, foram se adaptando à nova fase.
    Faziam liquidações, vendendo LPs a preços irrisórios. Eu mesmo comprei centenas deles, aproveitando
    a onda, pois acreditava que muitos deles não seriam relançados em CD. E assim aconteceu. .
    A nova onda impulsionou a indústria de eletrônicos domésticos, portáteis e automotivos. Todos tocavam CDs
    Por outro lado, centenas de artistas foram relegados ao ostracismo, logo na chegada do CD. Raridades como “Inezita Canta Caimmy”, assim como milhares de obras importantes de artistas e instrumentistas que não estavam na onda, desapareceram.
    Só gravavam os que eram certeza de venda ou os monstros sagrados da MPB, como Chico, Bethânia, Caetano, Gal, Gonzaguinha, os neo-sertanejos, entre outros.
    Depois surge a pirataria, exatamente porque o preço dos CDs era muito alto, pela ganância das gravadoras.
    Nessa jogada toda, quem menos ganhava era o artista. Aliás, o artista era quem mais deveria ganhar, pois sem o seu trabalho, não haveria CDs à venda nas lojas.
    Certa vez, estava Caetano Veloso na praia, com sua esposa, quando acercou-se deles um garoto vendendo CDs piratas. Sem o reconhecer, o garoto lhe ofereceu o novo CD do Caetano, por R$ 10,00. Nas lojas, custava R$ 30,00.
    Em entrevista à Revista Veja, Caetano declarou que o garoto da praia ganhava mais do que ele, pois o artista recebia da gravadora, apenas R$ 5,00 por cada CD vendido.
    Então, meus caros, a origem de toda essa devastação musical, está na ganância das gravadoras e infelizmente não tem volta. Quantos empregos desapareceram e quantas carreiras foram sufocadas devido a esse capitalismo
    selvagem e insano?

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