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Sergio Burgi, coordenador de fotografia do IMS
Rio de Janeiro

Sucesso em exposição, a fotografia do século XIX vira tema de curso

Nesta terça-feira, 29, IMS-RJ abre inscrições para as aulas com Pedro Vasquez, Joaquim Marçal e Sergio Burgi. Por Solange Noronha

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Fez tanto sucesso a mesa-redonda que abriu a exposição “Retratos do império e do exílio — Imagens da família imperial brasileira no acervo de Dom João de Orleans e Bragança”, que Sergio Burgi, coordenador de fotografia do Instituto Moreira Salles no Rio de Janeiro, resolveu dedicar mais tempo e espaço ao tema.

A primeira providência foi chamar dois colegas que dividiram com ele a mesa: Pedro Vasquez e Joaquim Marçal. Convite aceito, foi acertada a programação (veja abaixo), para a qual os interessados já podem se inscrever na recepção do IMS (Rua Marquês de São Vicente, 476, Gávea — Tel.: (21) 3284-7400). A carga total do curso “A fotografia brasileira no século XIX” será de 17 horas. As aulas começam no dia 13 de abril e terminarão com uma visitação privilegiada às 150 peças da mostra, acompanhada dos professores.

Para entender o presente

Pedro Vasquez

Escritor e fotógrafo, autor do livro “D. Pedro II e a fotografia no Brasil”, Pedro Vasquez se entusiasmou com a ideia: “Vamos aprofundar o tema e, no fim, teremos uma aula coletiva, com visita guiada à exposição. Não se trata de ensinar a ver a fotografia do século XIX, mas ‘o que’ ver, porque o brasileiro tem o olhar muito sofisticado, devido à qualidade da nossa TV. Os intelectuais podem não gostar, mas nossa teledramaturgia é muito boa e há anos o Hans Donner faz vinhetas premiadas no exterior. Então, é uma questão apenas de orientar o público para que ele se dê conta do quão revolucionárias eram as técnicas usadas na fotografia nacional nos anos 1800.”

Segundo Pedro, é importante destacar alguns detalhes que podem passar despercebidos: “Um deles é o fundo tropical, que distingue nossa fotografia de todas as outras no período, fazendo o papel do que hoje conhecemos como cromaqui. Outro é a iluminação, com recursos que depois foram incorporados pelo teatro e, mais tarde, pelo cinema e pela televisão. O passado só interessa para entender o presente e antecipar, intuir o futuro.”

A imagem na imprensa

Joaquim Marçal

O pesquisador e professor Joaquim Marçal vai falar do tema sobre o qual se debruçou para escrever “História da fotorreportagem no Brasil: a fotografia na imprensa do Rio de Janeiro de 1839 a 1900”. “É muito interessante acompanhar o alvorecer da transposição da imagem fotográfica para o livro e, depois, para os jornais. O verdadeiro desafio, que todos queriam vencer originalmente, era multiplicar, disseminar a imagem. Nos anos 1840-1850, surgiu a reprodução fotomecânica, que tinha cara de fotografia, mas não era viável para reprodução no meio impresso.“

Heliografia, xilografia, daguerreotipia e litografia foram alguns dos métodos inventados até se chegar ao ideal: “Pretendo mostrar essa evolução e relação entre fotografia e imprensa até o Estado Novo, no início do século XX, dos primeiros livros fotográficos aos jornais e revistas. Também gostei muito da ideia do Sergio de cada um assistir à aula do outro. É muito raro o professor ter chance de participar das aulas dos colegas. O aluno só tem a ganhar com isso e nós, também.”

Programação completa

13/04 (quarta-feira), das 18h às 22h
Aula de Sergio Burgi. Tema: A fotografia de paisagem/Fotógrafos de origem francesa na fotografia brasileira do século XIX

14/04 (quinta-feira), das 18h às 22h
Aula de Pedro Vasquez. Tema: D. Pedro II e a fotografia/ O retrato fotográfico na segunda metade do século XIX

15/04 (sexta-feira), das 18h às 22h
Aula de Joaquim Marçal. Tema: A Imprensa e as publicações e revistas ilustradas a partir de fotografias na segunda metade do século XIX e no início do XX

16/04 (sábado), das 14h às 19h
Aula conjunta e visita guiada pela exposição “Retratos do império e do exílio — Imagens da família imperial brasileira no acervo de Dom João de Orleans e Bragança”

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  1. Belito Souza disse:

    Gostaria muito de conhecer a exposição de fotos da Familia Imperial Brasileira. Tenho meu filho mais novo, Flavio,que reside em Itaboraí RJ e sempre que posso vou à Petrópolis e lá sinto muita tristeza pelo que os brasileiros fizeram com D.Pedro II e toda família.Não havia necessidade de tanta violência como foi feita a “República”. Acho que foi uma tremenda burrada nossa. Teríamos muito menos ladrões no Gov.Federal.