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Terror-comédia

‘Terrir’ só é bom quando feito a sério

Quando filmes e séries de terror levam o público a dar risadas involuntariamente, alguma coisa está errada. Muito melhor é assumir de vez o humor. Por Solange Noronha

‘Terrir’ só é bom quando feito a sério
Filme "O Jovem Frankstein" mistura personagem de terror com trama engraçada (Reprodução)

O cineasta Ivan Cardoso foi feliz ao cunhar o termo “terrir” para definir alguns dos filmes que dirigiu, como As sete vampiras e O segredo da múmia. Produções assumidamente cômicas podem ser ótimas e, ao mesmo tempo, ter no centro da trama alguns dos personagens mais famosos do gênero terror — bom exemplo disso é O jovem Frankenstein, um dos mais divertidos títulos da obra de Mel Brooks, um mestre da comédia. Já para levar o drama dos personagens de Mary Shelley às telas com seriedade, hoje, recomenda-se que o candidato supere Kenneth Branagh, que em 1994, além da direção, assumiu a pele do cientista Victor Frankenstein e deu a Robert De Niro o papel de sua atormentada criatura.

Atualmente, há um surto de criaturas fantásticas no cinema e na televisão. O problema é acertar a mão e o tom — dificuldade enfrentada também pelas séries que tentam dar leveza e comicidade a temas pesados como câncer, distúrbios psicológicos graves e alcoolismo, para citar apenas três num mar de opções. No caso dos seres sobrenaturais, o primeiro passo seria definir o que se quer: ser levado a sério ou fazer rir.

De morto-vivo a lobisomem

Cartaz da última Maratona Odeon e previsto para entrar em circuito no próximo dia 12, Dylan Dog e as criaturas da noite não se pretende um filmaço, mas diverte. Baseada em quadrinhos italianos, tem bom apelo para a plateia jovem com o mais recente Super-Homem, Brandon Routh, exibindo os músculos como o detetive paranormal do título. Seu auxiliar é o simpático Sam Hutington, que já foi visto às voltas com o drama de virar lobisomem — na versão norte-americana do seriado Being human, de 2011 — e no filme, de 2010, é responsável pelos risíveis constrangimentos de quem se descobre transformado em zumbi.

O Dylan Dog do cinema parece distante do original, mas suas lutas coreografadas devem agradar aos fãs de ação — o filme também presta homenagem ao noir na narrativa e tem até um gostinho de western spaghetti em algumas cenas de tiroteio. O diretor canadense Kevin Munroe escolheu Nova Orleans como o refúgio ideal para lobisomens, vampiros e mortos-vivos — e faz brincadeira com isso, ao contrário do pessoal de Bon Temps, em True Blood. Na Louisiana do cinema, ninguém se leva muito a sério — assim, o geralmente subaproveitado Peter Stormare, de Prison Break, consegue dar dignidade ao chefe de um dos clãs licantrópicos e o fortão Tye Diggs, de Private Practice, fica à vontade para esbanjar canastrice como o chefe dos chupadores de sangue, traficante de… true blood.

O caos que incomoda

A miscelânea descrita acima não incomoda, porque a intenção é fazer graça. Infelizmente, não é o caso da série da HBO — ou os autores de True Blood pretendiam arrancar gargalhadas do espectador ao criar vampiros seguidores de Torquemada? E por que será que bruxa queimada na Inquisição espanhola (por vampiros!) é poliglota (fala um inglês perfeito e atual ao baixar num “cavalo”), enquanto o pobre espírito de um bruxo mexicano só “habla castellano”? O pretenso galã Stephen Moyer está mais canastrão do que nunca nesta quarta temporada — e põe inúmeros “s” adiante do nome de sua amada Sookie. Pelo menos, a “frasqueira” vivida por Anna Paquin, de boba, não tem nada: troca o chato de galocha pela melhor coisa do seriado, o sueco Alexander Skarsgård, bom de ver e ouvir.

Alexander Skarsgård

Alexander Skarsgård

True Blood estreou com uma proposta interessante — porém, enlouqueceu rapidamente. A série também não parecia ser voltada para adolescentes — e hoje devem ser eles a maioria da audiência, na tentativa de assistir a uma ou outra cena picante no meio de uma história sem pé nem cabeça. Talvez a garotada não encontre muito sexo na atração sobrenatural do momento, Teen Wolf, mas pode dar mais sorte em matéria de roteiro. Um talento já desponta no elenco: Dylan O’Brien, que faz o amigo do personagem principal (interpretado por Tyler Posey). E a cota de músculos à mostra é muito bem preenchida pelo bonitão Tyler Hoechlin. A segunda temporada já está garantida. Tomara que os escritores não se percam no caminho.

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