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O ETA surgiu no dia 31 de julho de 1959 como um movimento socialista e nacionalista, descendente do Partido Nacionalista Basco (PNB). Seu objetivo era promover a autonomia do povo basco, que hoje soma em torno de 2,5 milhões de pessoas e se encontra espalhado por territórios da França e da Espanha.
Desde 2000 a.C. aproximadamente, os bascos têm resistido a constantes invasões à Península Ibérica, que eles ocuparam nesse período. A dominação romana não exterminou seus costumes, tradições e, principalmente, sua língua – que não tem parentesco com nenhuma outra falada no mundo, não é considerada indo-européia, é a mais antiga falada hoje na Europa e constituiu-se na forma escrita somente no século XVI. Por suas peculiaridades, a língua é um elemento fundamental de união do povo basco.
Ao longo de seus quase 50 anos de atuação, o ETA promoveu inúmeros atentados para protestar em nome do separatismo, utilizando-se de artifícios altamente perigosos, como carros-bomba. A opção pela luta armada teve início nos anos 60, após episódios de repressão por parte dos fascistas. Um deles, retratado em quadro de Pablo Picasso, foi o bombardeio da cidade basca de Guernica no dia 27 de abril de 1937, quando a aviação da Alemanha nazista lançou bombas incendiárias que mataram mais de mil pessoas.
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| Guernica, de Picasso |
Essa reação fascista aconteceu como resposta violenta ao apoio que a população basca deu aos republicanos, aliados aos socialistas e anarquistas, durante a Guerra Civil Espanhola (1936-39). A ditadura fascista do general Franco passou a reprimir bruscamente todos os movimentos nacionalistas. Em uma de suas ações mais famosas, no ano de 1973, o ETA promoveu um atentado que matou o almirante Luiz Carrero Blanco, o Primeiro-Ministro na época e provável sucessor de Franco. Durante a ditadura certos assassinatos políticos contaram com forte apoio popular.
O ETA já declarou cessar-fogo mais de dez vezes e uma trégua em 1998, que durou menos de um ano. Mais de 800 mortes são contabilizadas em decorrência dos atentados promovidos pelo grupo.
Segundo o jornal O Estado de S. Paulo em matéria publicada hoje, o Primeiro-Ministro José Luis Rodríguez Zapatero – que afirmou no mês passado que esse seria o momento ideal para o fim do ETA devido ao fato de há três anos não serem promovidos atentados fatais -, assegurou que seu governo vai agir com calma para resolver o conflito e manterá o compromisso anunciado no último debate sobre o Estado da Nação, de ir ao Parlamento para informar e solicitar apoio.