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Livro refaz caminho de obras de arte roubadas na II Guerra Mundial

Escritor refaz trajeto de diversas obras perdidas em livro e diz que museus deveriam ser mais rígidos na hora de verificar o passado das aquisições

Livro refaz caminho de obras de arte roubadas na II Guerra Mundial
'O Astrônomo' foi sequestrado pelos nazistas e agora está exposto no Louvre (Reprodução/Internet)

A maioria das pessoas que vê o quadro O Astrônomo (1668), de Vermeer, no Museu do Louvre não imagina que atrás dele encontra-se uma pequena suástica, marcada quando o quadro foi confiscado por Hitler, nos anos 1940. A pintura foi doada ao museu em 1983, após ter sido restituída a família judia Rothschild.

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Muitas outras obras não foram devolvidas a seus donos nem entregues a museus. Em seu livro O Museu Desaparecido, que chega ao Brasil pela Martins Fontes, o jornalista porto-riquenho Hector Feliciano relata o que aconteceu com diversas dessas, estimando que ainda existam 50 mil obras confiscadas pelo regime totalitário alemão que nunca foram encontradas.

Ele comenta que o prejuízo artístico é grande. “Na França – naquela época, o centro mundial da arte e, por isso, a maior vítima -, foram cerca de 100 mil obras roubadas. Por obras de arte, me refiro a uma pintura, um ovo Fabergé, um móvel, todo tipo de objeto. Para ter uma ideia do que são 100 mil obras, pense que a coleção nuclear do MoMa tem 2.500. Então 100 mil é algo gigante”.

Hoje em dia não há uma regulamentação internacional sobre roubos de quadros. Muitas vezes, os compradores não sabem da situação de ilegalidade das obras. Para ele, após o livro, as pessoas passaram a dar mais importância para a procedência das obras. “Hoje, os historiadores dão muito mais atenção a isso. Em países como França e Estados Unidos, foram criados comitês de restituição de obras. A jurisprudência internacional também se transformou”, comenta.

Ele ainda critica a posição dos museus, que não investigam profundamente a procedência dos artefatos, se isentando. “A princípio, a atitude dos museus foi de certa negação. Depois da pressão da opinião pública, começaram a admitir. Mas, realmente, há muito poucos museus que fizeram um trabalho verdadeiro e profundo de busca dos donos das obras, muito poucos mesmo.”

Na década de 1990, a Rússia criou leis para conservar as obras obtidas através do exército vermelho em toda Europa. Eles alegaram que a Rússia foi destruída e nunca reembolsada, então manteriam os quadros até que isso viesse a acontecer. A Suíça, por sua vez, é um país que tem um considerável potencial para obras perdidas, graças as suas leis permissivas de sigilo e posse.

 

Fontes:
Estadão-Tesouros Perdidos

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