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Trinta anos sem John Lennon

Opinião e Notícia lembra da vida e obra de John Lennon no 30º aniversário de morte do artista

Trinta anos sem John Lennon
John Lennon foi assassinado por um fã desequilibrado em 1980

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Há 30 anos, o mundo foi surpreendido pela notícia do assassinato do ex-Beatle John Lennon, em Nova York. Ele foi morto com cinco tiros em 8 de dezembro de 1980, aos 40 anos de idade, em frente ao edifício Dakota, onde morava. O assassino, Mark Chapman, tinha 25 anos e era fã dos Beatles. Ele havia recebido um autógrafo de Lennon no mesmo local horas antes. A notícia emocionou o mundo. Hoje, em frente ao edifício, há um memorial batizado com o nome de uma música do grupo, de 1967, Strawberry Fields Forever. Lennon deixou um legado de 72 discos gravados e uma fortuna de US$ 200 milhões.

O início da carreira de Lennon se deu com a banda que formou com colegas de escola em 1956, The Quarrymen, tocando músicas que ouviam no rádio. Ele era o líder e responsável pelo vocal e pela guitarra. Os homens de Quarry (Quarry Bank High School era o nome da escola onde estudavam) costumavam fazer shows em festas e igrejas. Um dos componentes do grupo apresentou John para Paul McCartney, e, em 1957, eles passaram a tocar juntos, dando início à parceria que originaria os Beatles.

Yoko e John em 1980 (Fonte: Corbis)

A tia de Lennon, por quem foi criado, era dedicada e acabou sendo grande incentivadora do potencial artístico do sobrinho. Foi ela quem lhe deu seu primeiro instrumento musical e enviou uma carta de recomendação à Escola de Artes de Liverpool para que o talento do jovem John para desenhar fosse bem aproveitado. Estudando artes, Lennon conheceu Stuart Sutcliffe, que faria parte da primeira formação dos Beatles: John, Stu, Paul McCartney, George Harrison e Tommy Moore.

Paralelamente aos Beatles, a partir de 1968 Lennon passou a construir uma carreira no underground com sua segunda mulher, Yoko Ono – relacionamento frequentemente associado ao desmantelamento da banda, já que ela costuma ser responsabilizada pelas crises que teriam consumido o grupo até o fim. John já havia se casado, em 1962, com Cyntia Powell, com quem teve um filho em 1963, Julian – época em que os Beatles estouravam cada vez mais, alcançando o primeiro lugar nas paradas inglesas com Please Please Me” e depois com “From me to you”.

Foi em 1966 que John conheceu Yoko, quando ela estava expondo suas obras de arte numa galeria em Londres. Nesse período, os Beatles já estavam fazendo grande sucesso nos Estados Unidos, haviam alcançado o primeiro lugar nas paradas americanas com “I wanna hold your hand” e participado do festejado programa “Ed Sullivan Show”, empresariados por Brian Epstein. A outra face de sua produção, de caráter experimental e cheia de parcerias com Yoko, John preferia manter bem afastada dos holofotes que cegavam os Beatles. Os dois lançaram “Two Virgins”, disco que trazia os dois nus na capa, em 1968. Já o segundo e o terceiro álbuns do casal datam de 1969. São eles, “Life with the Lions” – que saiu após a cerimônia de casamento – e “Wedding Album”. Neste mesmo ano, tiveram destaque as manifestações de John e Yoko pela paz, durante o evento “Bed In Peace”, realizado no hotel Hilton, em Amsterdã, Holanda. Deitados de pijamas durante sete dias consecutivos, os dois deram entrevistas a repórteres para pedir ao mundo que promovesse a paz. No segundo Bed In, no Canadá, a dupla lançou a música “Give Peace a Chance” e protestou contra a guerra do Vietnã.

Eles também dedicaram boa parte de seus momentos de criação ao cinema – fizeram filmes com temática antiguerra, como “How I won the War” (1967), e diversos curtas, que eram exibidos em festivais europeus ou no circuito considerado alternativo. O mais conhecido filme do casal é “Two Virgins” (1969), que trazia na capa polêmica os dois nus e tinha o mesmo nome do primeiro álbum lançado pela dupla. Com 19 minutos e gravado em super8, esse filme apresenta sobreposições dos rostos de Lennon e Yoko, que se misturam na tela.

Outros dois filmes, menos conhecidos, são Smile (1969), que buscou representar o sorriso de toda uma geração através da boca de Lennon e Rape (1969), sobre uma menina estuprada por um grupo de jornalistas e em cujo lançamento John e Yoko apareceram dentro de sacos brancos, disseminando a idéia de que escondidos daquela forma poderiam falar com jornalistas sem serem julgados esteticamente.

Após o fim dos Beatles, em 1970, John passou a se dedicar ainda mais à sua carreira solo. Lançou o disco John Lennon Plastic Ono Band, que trazia a famosa frase “O sonho acabou”, em referência aos Beatles. O álbum Imagine, lançado em 1971, fez sucesso – diferentemente dos trabalhos anteriores da carreira solo de Lennon – e convidou o mundo novamente a se manifestar em prol da paz com a faixa título.

Em 1972, John e Yoko enfatizaram seu posicionamento político no álbum “Sometime in New York City”, que além de fazer apologia à paz, tinha uma postura anti-racial e anti-sexista. Nessa época, John criticava a postura do presidente Richard Nixon, especialmente em relação à Guerra do Vietnã, que vinha matando milhares de jovens americanos por ano de forma estúpida. Seu ativismo o estava levando a ser perseguido pelo governo americano. Lennon teve seu telefone grampeado e foi seguido pelas autoridades. Enquanto isso, após um período de entusiasmo com a causa política, John e Yoko já estavam se cansando, desiludidos com a esquerda americana e com as pessoas que haviam tentado ajudar. Ele vinha sendo criticado também pelo uso excessivo de drogas.

Justamente por causa do abuso de entorpecentes e das sucessivas traições por parte do compositor, John e Yoko passaram um tempo separados. Nesse período ele lançou outro álbum que obteve sucesso, “Wall and Bridges”, em 74. O disco continha a faixa “Whatever Gets You Thru The Night”, que se tornaria o single número um da carreira solo de John. Em outubro de 2005, a EMI anunciou o relançamento do disco, contendo três faixas-bônus, entre elas uma versão ao vivo dessa canção.

Em 1975, o casal, reconciliado, teve um filho, Sean. Em 1980, eles lançaram “Double Fantasy”, o último álbum de Lennon, que tinha um teor bem diferente dos radicalismos políticos de outrora: falava de vida doméstica, família, paternidade e amor pela mulher e tinha no vocal da maioria das músicas a própria Yoko – que lançaria “Milk and Honey”, em 1983, um dos discos feitos de sobras da produção artística de Lennon.

Mesmo tendo passado boa parte de sua vida lutando pela paz mundial, Lennon não escapou de um destino marcado pela violência.

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