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SOLIDÃO NAS PIRÂMIDES

O declínio no setor de turismo do Egito

Antes um dos principais destinos do mundo, Egito sofre com a queda no turismo, principal fonte de receita do país

O declínio no setor de turismo do Egito
Pontos turísticos que antes viviam lotados, hoje estão vazios (Foto: Pixabay)

A cidade do Cairo sempre foi um pulsante destino turístico. Porém, esse status começou a definhar nos últimos anos. Essa tendência pode ser vista nas margens do Rio Nilo, lar dos hotéis mais luxuosos da capital egípcia. Antes lotados de turistas, hoje eles colecionam quartos vazios. Uma imagem desoladora para o que antes era um dos destinos mais procurados do mundo.

O Egito ainda se recupera de sua fracassada revolução, que derrubou o governo mas não trouxe a democracia; uma série de desastres aéreos; e, mais recentemente, bombardeios contra igrejas ortodoxas coptas no início deste mês. Este último ataque alvejou o único destino egípcio que ainda não havia sido afetado pela queda no turismo.

Os guias de Cairo, antes sobrecarregados de trabalho, hoje não conseguem clientes. “Eu trabalhava 20 dias no mês. Às vezes, tinha de desligar o telefone pelo excesso de ligações. No Natal e na Páscoa não era possível achar quartos de hotéis, carros para alugar ou guias. Todos estavam reservados e ocupados. Hoje, o cenário é completamente o oposto. Um mês você pode sequer trabalhar. Não esperamos mais turistas como antigamente. É muito difícil”, diz o guia turístico Abdel Baset, ressaltando ser um dos poucos que não buscou outra profissão.

Os números comprovam a desolação de Baset. Segundo a Organização Mundial do Turismo (UNWTO), em 2010, 14,7 milhões de turistas visitaram o Egito. Em 2016, esse número despencou para 5,4 milhões. A queda custou bilhões ao país, que tem no turismo uma das principais fontes de receita.

Para Steven Cook, especialista em Egito do Conselho de Relações Exteriores dos EUA, a queda no turismo reflete as incertezas políticas e de segurança no país.

“Acho que as revoltas de 2011 e a incerteza do período de transição de Mubarak para Hosni contribuíram para o afastamento dos turistas. Não é tão surpreendente, dado tudo que aconteceu desde janeiro de 2011, que o setor de turismo egípcio tenha sido severamente afetado. Em 2010, o país recebeu quase 15 milhões de turistas. Desde então, sequer se aproximou desse número. É desolador”, diz Cook.

Um dos principais indicadores da recessão no turismo são as Pirâmides de Gizé. Antigamente, o local era lotado de centenas, às vezes, milhares de turistas. Hoje, passear nos arredores das pirâmides é como andar na Lua: deserto, vazio e silencioso.

Fontes:
A Jazeera-The lonely pyramids of Giza: Egyptian tourism's decline

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2 Opiniões

  1. laercio disse:

    Os erros políticos e os ataques na igrejas se assemelham aos erros políticos e o crescimento do crime no Brasil.

    Nossa nação era para ser a mais visitada do mundo ou uma das…

    Temos várias regiões diferentes e temperaturas com média que agradam de escandinavos a visitantes do Equador.

    Lá no Egito as diferenças ideológicas quando a governo e grupos, que querem o domínio, prevalece.

    No Brasil a ambição norteia os dois grupos, fazendo com que haja prejuízo direto na economia do país.

    O povo está quase cego e nossa constituição não dá subsídios ao substantivo nação!

    Nosso problema é uma mídia dominante e forte que se encarrega de deixar o povo, além de cego, surdo também…

  2. Carlos Valoir Simões disse:

    Eles precisam se reconciliar com os seus deuses, o cristianismo e o islamismo não fizeram bem ao Egito. Os faraós estão se revirando em seus sarcófagos.

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