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AMSTERDÃ

O impacto negativo do turismo em um ponto turístico da Holanda

O último florista do icônico mercado Bloemenmarkt não resistiu à multidão de turistas que invade Amsterdã todos os anos

O impacto negativo do turismo em um ponto turístico da Holanda
O Bloemenmarkt faz parte da lista da Unesco das atrações turísticas mais famosas do mundo (Foto: Emanuele/Flickr)

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Após 45 anos de atividade, o último florista do mercado de flores flutuante de Amsterdã, o Bloemenmarkt, está fechando sua loja e culpa o enorme fluxo de turistas, que invade todos os anos a charmosa capital da Holanda, por sua decisão.

Michael Saarloos, cuja família começou a vender flores no mercado no canal Singel em 1943, disse que a invasão das lojas de suvenires baratos e dos turistas com suas e fotos haviam eliminado o ambiente bucólico das floriculturas, com suas belas flores perfumadas.

O Bloemenmarkt, fundado em 1862, conta com o apoio do Conselho Holandês de Turismo e faz parte da lista da Unesco das atrações turísticas mais famosas do mundo.

Em entrevista ao jornal De Trouw, Saarloos disse que o movimento dos turistas dificulta o atendimento aos clientes habituais, que têm um prazer genuíno em comprar flores. Hoje, a maioria das 16 lojas do mercado flutuante vende quinquilharias como tamancos de madeira, ímãs, plantas de maconha, tulipas e bulbos de plástico.

As autoridades de Amsterdã têm se esforçado para controlar o fluxo de turistas, que só no início deste ano totalizou cerca de 18,5 milhões de pessoas.

Segundo previsões, até 2025 a cidade será visitada por 23 milhões de turistas por ano. Políticos locais têm tentado preservar a cidade para seus 850 mil habitantes, com a imposição de limites de concentração de lojas de suvenires e praças de alimentação.

Comportamentos antissociais são sujeitos a multas. Quem urina nos canais, perturba a paz em locais públicos e joga lixo no chão paga uma multa de € 140. O Conselho de Turismo divulga listas de atrações turísticas em outros lugares da Holanda, como uma forma de diminuir o número de visitantes a Amsterdã.

Saarloos, que irá abrir uma loja em um local mais tranquilo a 750 metros de distância da antiga loja, atribuiu em parte o fracasso do mercado de flores flutuante ao conselho municipal por não ter cumprido a lei, segundo a qual, só 25% das lojas poderiam vender produtos que não fossem flores.

“O outro florista no mercado vende, sobretudo, bulbos. Sou o único que faz buquês”, disse Saarloos.

Saarloos trabalhou com o sogro na loja durante 25 anos até comprá-la dele há 20 anos. Nesse período, ele percebeu a mudança nos hábitos dos moradores da cidade nos últimos dez anos.

“Na primavera, as pessoas vinham comprar plantas para enfeitar o jardim ou a varanda de suas casas. Sempre atendíamos muitos clientes. Agora, com a invasão do turismo de massa gastamos nossa energia repetindo aos gritos o que está escrito nos cartazes: Não tirem fotos!”.

Após a entrevista de Saarloos, um porta-voz do conselho municipal disse ao jornal De Trouw que a decisão dele era extremamente prejudicial à imagem de uma das atrações turísticas mais conhecidas do mundo. “É lamentável”, obsevou.

Fontes:
The Guardian-Amsterdam's last floating florist closes, blaming tourists

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