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Rota dos Parques pode ser um divisor de águas para o turismo

As dramáticas áreas selvagens da Patagônia estão se abrindo para os visitantes, mas o crescimento do turismo está atrelado com a conservação

Rota dos Parques pode ser um divisor de águas para o turismo
Rota pode se tornar um dos principais lares do turismo ecológico (Foto: Augusto Dominguez/Tompkins Conservation)

A filantropa por trás de um dos mais ambiciosos projetos de conservação do mundo, Kristine Tompkins, revelou planos de “mudança de jogo” que podem transformar o turismo na Patagônia chilena. 

No ano passado, uma extensa doação de terras de Kristine e seu falecido marido, Douglas Tompkins, levou à criação de cinco parques nacionais no Sul do Chile. Agora, após 25 anos de aquisição estratégica de terra, Krisitne disse que o próximo desafio era incentivar 60 comunidades em toda a região a desenvolver empreendimentos turísticos que ajudará a proteger a biodiversidade.

Falando em Londres no lançamento europeu da Rota dos Parques, com 1.700 milhas (2.735 km) de extensão, uma iniciativa de marketing que abrange 17 parques nacionais em toda a Patagônia, Tompkins disse: “Queremos que a população local tenha um senso de propriedade e orgulho. Eles se tornarão a primeira linha de defesa em conservação”.

Embora os principais centros da Patagônia chilena – Punta Arenas, Puerto Montt, Balmaceda e o parque nacional Torres del Paine – já possuam infraestrutura turística bem estabelecida, Tompkins espera que as comunidades da região vejam a Rota dos Parques como uma oportunidade para iniciar o turismo. “Queremos mochileiros e pessoas que só podem acampar – queremos uma variedade de ofertas”.

Uma equipe da fundação Tompkins Conservation já viajou pela Patagônia visitando cidades e vilarejos para falar sobre o motivo da existência dos parques – para “travar a crise de extinção”, restaurando a paisagem ao seu estado natural e, quando necessário, reintroduzindo espécies ameaçadas – e incentivar a população local a estabelecer serviços turísticos que gerem renda para as comunidades e contribuam para a preservação a longo prazo do habitat selvagem.

A Fundação Tompkins desenvolveu trilhas e infraestrutura em dois dos cinco novos parques: Parque Patagônia e Pumalín – o primeiro tem duas pequenas lojas, três acampamentos e um centro de visitantes; o segundo tem nove cabines e uma rede de acampamentos. Mas o objetivo é que as comunidades desenvolvam acomodações de baixo impacto, serviços de guia e transporte, passeios culturais e muito mais por todos os parques.

Como resultado, vastas áreas da Patagônia, como a espetacular mas negligenciada região de Aysén, se tornarão mais acessíveis, tirando a pressão de Torres del Paine, onde a trilha W é tão movimentada na alta temporada que os viajantes se queixam de superlotação .

A empresa de viagens Pura Aventura , sediada no Reino Unido, que vende férias para a Patagônia há 20 anos, disse que o trabalho da Fundação Tompkins foi um divisor de águas para o turismo.

“Do nosso ponto de vista, é muito empolgante que uma organização com o peso de Tompkins esteja abrindo essa [região] porque significa que um suprimento quase infinito de lugares extraordinários se torna acessível de uma maneira que não será prejudicial. Trata-se de poder viajar em sã consciência”, disse o co-proprietário da empresa Thomas Power.

Começando no norte da Patagônia, a Rota dos Parques é uma rodovia cênica épica que leva e três rotas existentes: a Carretera Austral, entre Puerto Montt e Villa O’Higgins; a região central dos fiordes (acessível apenas por balsa); e a rota Fim do Mundo, terminando em Cape Horn.

O lançamento da rota – dividida em diferentes itinerários no site – segue a criação de cinco novos parques nacionais e a expansão de outros três, todos na Patagônia chilena depois que a Fundação Tompkins entregou um milhão de acres ao Estado chileno – a maior doação privada de terras de todos os tempos.

A transferência foi o culminar de 25 anos de aquisição estratégica de terras por Kristine e Douglas (que morreu em um acidente de caiaque em 2015), com o objetivo de retornar as terras cultivadas ao seu estado natural e criar corredores de vida selvagem.

A Fundação também é proprietária de terras na Argentina, onde seu principal projeto de naturalização está vendo espécies sendo reintroduzidas no recém-criado parque nacional Iberá, no noroeste. Em janeiro, três onças serão introduzidas. No total, esse trabalho filantrópico de Tompkins é de US$ 345 milhões.

Fontes:
The Guardian-Why Chile’s Route of Parks will be a ‘game changer for tourism’

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