Início » Cultura » Turismo » Troia – sim, a lendária cidade existe!
TURISMO

Troia – sim, a lendária cidade existe!

Conheça com Fernanda Costta o palco de uma das batalhas mais famosas da mitologia grega

Troia – sim, a lendária cidade existe!
Troia é o lendário palco da batalha dos heróis Aquiles e Hector.

Não duvide, estamos mesmo falando da lendária Troia, onde ocorreu a célebre batalha de mesmo nome, famosa pelo guerreiro Aquiles; pelos reis Príamo, Agamenon, Menelau e Odisseu; pelos príncipes Páris e Hector; e pela bela Helena de Troia. A guerra que durou 10 anos marcou todas as civilizações daquela época e continuou a ecoar pelos séculos seguintes, ainda hoje, mesmo 4 mil anos depois de ocorrida.

O poeta Homero imortalizou o evento em sua obra literária Ilíada, considerada uma das obras mais importantes da literatura mundial, tendo influenciado fortemente a cultura clássica e tornando-se o documento ocidental mais antigo já encontrado. O mix que o autor faz entre o evento e as diversas divindades da mitologia grega confundem qualquer leitor moderno e graças à Hollywood, as pessoas puderam entender mais a respeito com o filme ‘Troy’, estrelado por Brad Pitt e Orlando Bloom.

Mesmo com uma boa dose de efeitos hollywodianos, a história é contada semelhante à original. Para quem não se lembra do filme, o estopim da guerra se dá com a fuga da bela Helena de Esparta para Troia, com o seu amante e príncipe do reino, Páris. Com isso, Agamenon, rei da grande Grécia, que já buscava alguma desculpa para invadir Troia e anexá-la ao seu império, decide iniciar a guerra para honrar o irmão traído, e contrata o guerreiro Aquiles. No décimo ano da guerra, sem vencedores e vencidos até então, os gregos fingem abandonar Troia e deixam um imenso cavalo de madeira como oferenda aos deuses. Os troianos, após descobrirem a “fuga” dos gregos e o presente deixado por eles, decidem festejar e levar o cavalo para o reino. E aí, todo mundo conhece a célebre frase “presente de grego” nascida do episódio em que na calada da noite, os gregos saem do cavalo no qual estavam escondidos e tomam a cidade. Matam todos e queimam tudo. O invencível Aquiles vê sua sorte mudar quando é atingido no calcanhar por uma flechada do príncipe Páris e daí, outra célebre frase nasceu: “calcanhar de Aquiles”. Os grandes guerreiros morreram, Troia foi destruída e não se sabe ao certo o destino de Helena e Páris.

Talvez pudesse ter sido conhecido mais a respeito de Troia, não fosse o arqueológo alemão Heinrich Schliemann ter descoberto Troia em 1871. Se por um lado o sujeito trouxe ao mundo o que antes pensava ser apenas lenda, por outro, ele terminou de destruí-la por completo. Seu objetivo não era descobrir o patrimônio para resgatá-lo e mantê-lo, mas sim, encontrar o tão famoso tesouro do rei Príamo para seu próprio enriquecimento. Com isso, ao invés de fazer escavações delicadas com pincéis como de costume, deu logo início a uma gigantesca obra de escavação, quebrando tudo que aparecia pela frente. Mesmo em meio às milhares de toneladas de pedra e entulho em que transformava gradativamente a cidade, não sossegou até encontrar algo que de fato lhe rendesse algo. Finalmente encontrou uma belíssima peça provavelmente pertencente à esposa de Príamo, composta de várias voltas de ouro maciço que adornavam desde a cabeça até o pescoço, num estilo ancestral de melindrosa. A peça nunca foi para algum museu e nem se conhece mais seu paradeiro. Há registros – inclusive foto – de que foi presenteada à mulher do arqueólogo. Depois de abandonar Troia, Schliemann pediu desculpas formais ao governo turco por todo o dano que causara ao patrimônio do país e desde então os trabalhos de escavação foram assumidos por equipes realmente profissionais, que nos permitiram ver hoje “as Troias” de antigamente (Troia foi uma sucessão de nove cidades construídas uma sobre a outra).

Acho curioso que toda esta história não está no Wikipédia e em nenhuma outra fonte de pesquisa. Muito pelo contrário, endeusaram o arqueólogo Schliemann e hora alguma citam as besteiras que o mesmo fez. Enfim, só viajando mesmo para descobrir as verdades do lugar…

Troia estava às margens do mar Egeu, mas após anos de assoreamento, ficou distante quase 10 km do litoral. Está sediada em um terreno elevado, com uma vista belíssima dos campos de oliveiras cercado de capins dourados. Toda a região é tombada pela Unesco e logo na entrada do parque, os visitantes já se deparam com um enorme cavalo de madeira. O original usado no filme, com um design bem mais interessante, está na avenida beira mar da cidade vizinha de Çanakkale.

Troia é legal, mas não fique com a expectativa muito alta. A paisagem é interessante, o clima agradável, mas só existem ruínas mesmo. Só vá se for percorrer o roteiro entre Istambul e o litoral do mar Egeu, porque aí sim vale uma parada de duas horas. Ou então, se realmente quiser respirar o ar de Troia e sentir-se como um dos lendários heróis da guerra. Mas saiba que nem mesmo Brad Pitt pisou por lá… o filme foi todo gravado na Ilha de Malta, a mil quilômetros de distância dali.

* Fernanda Costta é graduada em Turismo e já visitou mais de 40 países. Há três anos escreve suas aventuras no blog.

Artigo publicado originalmente no blog Viaggio Mondo, parceiro do Opinião e Notícia.

Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não refletem a opinião deste site

4 Opiniões

  1. jaderdavila the small shareholder disse:

    troia era no final da rota da seda.
    a cidade foi construida pra ser descanso de uma caravana.
    que em seguida começava a rota de volta.
    portanto ficou riquissima.
    todo mundo em volta queria rouba-la.
    a guerra de troia durou até o portugues descobrir o caminho pras indias pelo mar.

  2. Markut disse:

    Eu mesmo fui um que acreditava no Schliemann , como arqueólogo e não como ávido caçador de tesouros, em seu próprio benefício.
    Cabe perguntar como ele obteve permissão para uma predação desse porte. Um estrago desses não poderia passar desapercebido.
    Por outro lado, o comentário de Jaderdavila coloca , com todo o realismo, a ganância e a crueldade que há em todas as guerras, por mais disfarçadas que elas sejam, nas suas justificativas.
    A natureza humana é inamovivel.
    Ironia das ironias é daí ter resultado uma obra prima da literatura universal.

  3. Jorge Luís Luz de Queiroz disse:

    É pena que após Tróia, não tenhamos a sequência
    “Eneida”, de Virgílio, que seria a fundação de
    Roma. E depois, “A Divina Comédia”, de Dante
    Alighieri, em que este é guiado pelo escritor
    romano Virgílio (símbolo da razão humana),atra-
    vés do inferno, purgatório e paraíso.

  4. Guilherme disse:

    Muito legal…Cadê o cavalo de Tróia nessa historia ele existe ainda?

Sua Opinião

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios são marcados *