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Conhecendo a Itália 10

Um giro pela Sicília III

Nesse ponto da viagem, surge uma grande dúvida. Uma opção é continuar sempre pela costa sul, até Siracusa, a próxima parada obrigatória. Mas as referências à Villa Romana de Casale, descoberta arqueológica recente, e cujos aposentos são decorados com mosaicos romanos do séc. III d.C., fizeram-nos sair da costa e adentrar o coração da Sicília. Não nos arrependemos. A Villa ficou surpreendentemente intacta ao longo dos séculos, soterrada em um vale de rara beleza. Tudo se descobre sobre como viviam os romanos. Banheiros intactos, a ante-câmara da dona da casa, ralos, esgotos e tudo o mais que faz parte do conforto de uma casa moderna e … maravilhosos pisos de mosaicos! Cada cômodo é decorado com um motivo, que deve ter sido seguido nas pinturas murais, infelizmente perdidas a não ser por certos vestígios. O que impressiona é o requinte dos desenhos, a arquitetura rebuscada da vila, o pátio interno com lagos artificiais, o cômodo que imita um circo romano. A basílica ainda não está aberta ao público e ali trabalhavam arqueólogos montando o quebra-cabeça dos mosaicos de seu piso.

Google ImagesSiracusa já está na costa leste da ilha, onde a paisagem muda completamente. Ao invés de suaves colinas de oliveiras, vê-se montanhas escarpadas e relevos íngremes, cujo ponto culminante é o Etna, do qual nos aproximávamos. Vê-se buganvílias de todas as cores por todos os lados. Escolhemos Fontane Bianche para o pouso, uma simpática praia 15 km ao sul de Siracusa, onde podíamos dar um mergulho entre um passeio histórico e outro. Aqui ficou patente que, com algumas exceções, grande parte das cidades sicilianas não está muito atenta às oportunidades trazidas pelo turismo. O hotel, na beira da praia, é mal explorado e o serviço deixa muito a desejar. Só para exemplificar, para se beber algo na praia deve-se buscar no bar do hotel, a centenas de metros de distância…

Google ImagesA ilha de Ortygia é a parte mais interessante de Siracusa. O Duomo, sua principal catedral, foi construído aproveitando as colunas dóricas de um antigo templo grego e domina uma simpática praça onde há bares e cafés. Quando se chega à costa, encontra-se a Fontana de Arethusa, que na verdade é um pequeno lago alimentado misteriosamente por uma fonte natural. À beira-mar, nada melhor que tomar um Prosecco, outro ótimo espumante italiano, enquanto esperamos o sol se pôr. E só então escolhemos o terraço, também com vista para o mar, onde fomos jantar.

Outro ponto importante de Siracusa é o teatro grego, escavado diretamente na pedra, com uma das maiores circunferências dentre todos os seus similares. Do alto do teatro, tem-se uma bela vista da baía de Siracusa. Ao lado do mesmo, uma “latomia”, lugar de onde os gregos tiravam as pedras para construir seus monumentos. Eles escavavam-na deixando um teto, o que faz com que Google Imagesacabassem por criar imensas cavernas que ruíam, às vezes. Se não ruiam, eram utilizadas para encerrar prisioneiros de guerra que eram deixados até morrer. Alguns milhares de gregos, cartaginenses, normandos, etc., morreram assim e de outras formas bárbaras cuja narrativa pontua freqüentemente a história sangrenta da Sicília. Uma escavação que não desabou é denominada de “a orelha de Dioniso”, em menção ao incrível poder de amplificação e eco dos sons produzidos em seu interior. Ali, pela primeira vez em seis dias, encontramos turistas brasileiros.

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1 Opinião

  1. Silvia Benedetti disse:

    Grata pela possibilidade de recordar o giro que fiz pela Sicilia em 2002. Quem já viu, recorda e quem não viu, fica conhecendo algo de belo e pitoresco. Interessante uma amostra da travessia do continente para Messina, naquele barco onde o trem é transportado com os passageiros em seus respectivos lugares e depois, segue além… Palermo… ah saudade! fomos até AGRIGENTO, SIRACUSA… Parabéns .

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