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Inteligência Artificial

Um motor diferente: a máquina de respostas

O supercomputador Watson continua a antiga tradição da IBM de propor grandes desafios para si própria

Um motor diferente: a máquina de respostas
Watson, um supercomputador, derrotou os outros concorrentes do programa (Fonte: Economist)

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Desde seu primeiro teste, há cerca de um ano, era claro que o Watson — um supercomputador construído pela IBM para responder corretamente questões complicadas em inglês em apenas alguns segundos — iria eliminar o mais inteligente dos humanos. E assim aconteceu durante um jogo popular de perguntas e respostas contra dois dos maiores campeões mundiais do programa. No final, Watson havia acumulado US$ 77 mil contra US$ 24 e 21 mil dos concorrentes.

A IBM tem uma antiga tradição de propor grandes desafios para si própria. Foi assim em 1997 durante uma partida de xadrez entre o Deep Blue da IBM e o campeão mundial Garry Kasparov. O jogo mostrou que o computador tem potência suficiente para realizar uma rápida analise lógica, entretanto, em nenhum momento demonstrou que o Deep Blue estava realizando algo ao menos vagamente inteligente. Mesmo assim, derrotar um mestre em xadrez foi apenas uma brincadeira de criança comparada ao recente quiz –repleto de ambiguidades, ironias e humor.

Watson foi uma ideia de David Ferrucci — responsável pelo DeepQA, projeto do centro de pesquisa da IBM, em Yorktown Heights, Nova Iorque. Dr. Ferrucci e sua equipe têm utilizado a pesquisa semântica e o processamento tecnológico das linguagens naturais para melhorar a forma como os computadores respondem às questões. Mais fácil de falar do que fazer.

Durante a análise de uma questão, o computador deve decidir o que é verbo, sujeito, preposição e objeto. Dessa forma, retira a ambiguidade das palavras, levando em conta todo o contexto que é capaz de perceber. “Quando as pessoas conversam trazem muito do contexto para o assunto, o computador trabalha em cima disso”, conta Dr. Ferrucci.

A máquina encontra dificuldade apenas em copiar a facilidade que o cérebro humano tem de usar atalhos para executar suas tarefas. Os computadores utilizam procedimentos ‘passo-a-passo’, o sistema de algoritmos. Por essa razão, Watson foi construído com 2880 chips Power 750 distribuídos por mais de 90 servidores. Dessa maneira, a máquina pode executar 80 trilhões de cálculos por segundo (um moderno computador realiza 100 bilhões de cálculos no mesmo período).

No concurso Watson usou mais de 100 algoritmos diferentes para analisar as questões e interrogar os mais de 15 trilhões de bytes armazenados em seu banco de dados — o equivalente a 200 páginas de informação. Na maioria dos casos o computador foi capaz de ser mais ágil que seus dois adversários, mas quando não tinha certeza da resposta não se manifestava. Evitou o comportamento humano impulsivo, o que custou alguns pontos dos seus adversários.

É bastante encorajador o feito destas máquinas, já que a meta da inteligência artificial tem sido, durante décadas, fazer com que um computador converse com humanos. Caso isso aconteça, a máquina passaria pelo famoso teste de inteligência artificial, desenvolvido por Alan Turing, em 1950. Para Ray Kurzwil, um inovador engenheiro, é só uma questão de tempo antes que isso aconteça. Para ele não será com Watson, mas algum de seus sucessores, por volta de 2029.

Isto significaria o fim dos humanos – com robôs mantendo pessoas meramente como animais de estimação? Certamente não, é o que diz Oren Etzioni, diretor do Centro de Turing, na Universidade de Washington, em Seattle. Mas significa que os computados serão bem mais capazes do que os de hoje. Para começar, a capacidade de responder questões em qualquer linguagem irá mudar os motores de toda a busca de conhecimento.

A longo prazo, os sucessores do Watson  podem ajudaras pessoas a filtrarem as milhares de possibilidades em sua vida pública e privada, através de recomendações adequadas – até mesmo em diagnósticos e tratamentos médicos, oportunidades de investimento e configurações de design. Seu correspondente aguarda, ansioso, o dia que um intelecto tão superior a ele poderá fazer seu pensamento por ele.

Fontes:
Economist - The Difference Engine: The answering machine

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