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História

Um relato detalhado do terrível massacre da Comuna de Paris

O historiador americano, John Merriman, lançou um livro sobre a forte repressão ao movimento em 1871

Um relato detalhado do terrível massacre da Comuna de Paris
Massacre sobre a revolta é uma das páginas violentas da história do país europeu (Foto: Reprodução/Economist)

O massacre brutal da Comuna de Paris ainda é um fato histórico de difícil compreensão. Durante dois dias em maio de 1871, 130 mil soldados do Exército francês entraram em Paris para reprimir a Comuna, uma revolta popular contra a opressão da burguesia e a insatisfação com a dura derrota da França na guerra contra a Prússia. Os historiadores ainda discutem os números exatos dos mortos durante o conflito, mas sete dias depois o exército assassinara aproximadamente 10 mil manifestantes, simpatizantes desarmados e espectadores. Os prisioneiros foram mortos indiscriminadamente. Das 36 mil pessoas presas, cerca de 10 mil foram executadas, encarceradas ou deportadas.

Em Massacre: The Life and Death of the Paris Commune of 1871, John Merriman, um historiador da Universidade de Yale, associa duas narrativas com raro talento. Primeiro, apresenta uma visão geral dos antecedentes complexos da revolta e, em seguida, descreve a insurgência do movimento popular em cenas de rua. A Comuna não foi um movimento socialista nem proletário. Seus membros eram em geral artesãos autônomos e trabalhadores comuns. As discussões dos anarquistas e dos utópicos limitavam-se às agremiações políticas. A Comuna defendia a autonomia civil da classe de trabalhadores e a eliminação das injustiças sofridas pelos artesãos e pequenos negociantes. O movimento durou 72 dias, tempo insuficiente para obter algum resultado positivo.

Merriman faz uma abordagem muito interessante da visão macro e micro da Comuna de Paris, o primeiro governo popular da história contemporânea. Ele descreve dia após dia a crescente revolta que invadiu as ruas de Paris e os detalhes minuciosos da semana sangrenta do massacre dos líderes e integrantes da Comuna.

Massacre: The Life and Death of the Paris Commune of 1871 tem o grande mérito de concentrar a narrativa na violência moral e física cometida por um Estado moderno e por uma suposta sociedade civilizada contra seus cidadãos. No relato de Merriman, a Comuna de Paris é uma triste lembrança que as piores vilanias podem ser cometidas quando os opositores perdem qualquer sentido de humanidade e de valores éticos e morais.

Fontes:
Economist-Spring uprising

1 Opinião

  1. Revoltado disse:

    É só colocar, de um lado, a sociedade dos ladrões (pt, classe política, mancomunada com altos empresários), e do outro o povo, e o que restou da classe média brasileira. É a mesmo, só que (por enquanto) sem os tiros, que foram substituídos por saques, negociatas etc. E o povo? Ora, logo é Carnaval….

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