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Gastronomia na França

Um símbolo de autenticidade para restaurantes franceses

Câmara dos Deputados na França pode exigir que 'restaurateurs' revelem se seus pratos são feitos em casa ou comprados prontos

Um símbolo de autenticidade para restaurantes franceses
Emenda ao código do consumidor pode forçar restaurantes franceses a classificar seus pratos (Reprodução/Getty)

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Dado o estado da economia francesa, os políticos de lá certamente têm preocupações maiores. Mas um dos assuntos mais debatidos no Parlamento nos últimos dias é como forçar os restaurantes a revelarem se preparam o seu bouef bourguignon em sua própria cozinha ou se simplesmente abrem pacotes e aquecem o seu conteúdo.

Em 27 de junho a Câmara dos Deputados aprovou uma emenda ao código do consumidor que forçará os restaurantes a classificar os pratos que preparam a partir de ingredientes frescos em suas próprias cozinhas como “fait maison” , isto é, feito em casa. Caso a reforma seja aprovada, em 2014 os cardápios de todos os estabelecimentos, de pequenas brasseries em Dordogne a restaurantes multiestrelados de Paris, podem estar exibindo símbolos de autenticidade em vez de rótulos apetitosos, mas pouco claros, como façon grandmère – “feito à moda da vovó”.

Os franceses são conhecidos por servirem comida de qualidade, mas quase um terço de todos os restaurantes do país serve pratos preparados em outro lugar. Xavier Denamur, dono de restaurante e ativista pela abertura da “caixa-preta” da gastronomia francesa, diz que essa proporção é muito maior.

O aumento dos custos trabalhistas e dos alimentos no país tornou a dádiva de cozinhar tudo, a partir do zero, algo fora de alcance para muitos estabelecimentos. É mais barato e prático comprar os ingredientes congelados ou pratos prontos de fabricantes industriais. A queda do poder de compra da população acrescentou à pressão. Muitos franceses agora trazem sanduíches de casa para o trabalho, como fazem os ingleses. Vans e ambulantes que vendem lanches nas ruas são cada vez mais comuns. Quando os franceses saem para comer em restaurantes, cada centavo conta.


Texto da revista Economist editado para o Opinião e Notícia

Tradução: Eduardo Sá

 

 

Fontes:
The Economist - No Place Like Home

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