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Agenor Fagundes na Editoria de Turismo

Visitando o Chile IV

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Fomos direto para a vinícola Montes, famosa pela qualidade e, principalmente, pela modernidade e alta tecnologia levadas ao extremo. Parece que estamos numa estação espacial, tal a quantidade de equipamentos de aço brilhante, se não fossem as lindíssimas plantações com parreiras plantadas morro acima, fugindo da tradição de horizontalidade.

A técnica, segundo nos relataram, é que a parreira teria assim mais dificuldade de absorver nutrientes e teria, por esta razão, a possibilidade de produzir sabores mais complexos. Mas vamos deixar esta questão para os enólogos ou, se preferirem, para os tão freqüentes "enochatos", que muitas vezes só sabem discutir rótulos e preços. Almoçamos num restaurante típico que era uma antiga padaria estilizada com comida local, uma espécie de bolo de carne seca e o outro prato mais fino, codornas cozidas no vinho branco. Apesar de ser uma região vinícola, o calor de dezembro não convidava a tomar vinho. De lá seguimos para nosso hotel no próprio vale, o hotel boutique da vinícola Casa Silva, talvez a mais antiga da região, já na quinta geração de proprietários.

Agenor FagundesEsta é uma vinícola muito bonita e com um padrão mais perto do que se espera. Em frente à vinícola fica a antiga casa dos proprietários, agora transformada num hotel muito especial, de apenas sete quartos, todos decorados com bom gosto, lembrando uma era colonial com móveis antigos, mas bem cuidados, banheiros amplos com ladrilhos xadrez no piso. O jantar, por incrível que pareça, pela excelência das refeições que fizemos até o momento, foi dos melhores. Comemos maravilhosas costeletas de cordeiro, com salada de folhas e cogumelos, tudo preparado com grande esmero e qualidade, regadas ao excelente Cabernet Sauvignon Gran Reserva 2005 Los Lingues, para beber rezando.

Importantíssimo dizer que o salão do restaurante fica dentro da adega refrigerada sobre os barris de carvalho, temperando os vinhos para serem, em seu momento próprio, engarrafados: Agenor Fagundesmelhor cenário, impossível. De lá voltamos para nosso quarto com teto alto e lustre de cristal, parecia final do século 19. Antes passamos pela excelente loja de artesanato do hotel, onde foi impossível resistir à compra de um tapete de lã tecido à mão no sul do país, com tons naturais alaranjados.

Depois de uma noite de sono reparador, tomamos café da manhã junto à sala principal de casa, tudo preparado com muito cuidado e louça original de época. Em seguida pegamos o rumo de volta a Santiago pela excelente estrada Pan Americana (vem do Alasca, passando pelo Canadá, EUA, América Central até o sul do Chile, na Patagônia). Ao meio dia estávamos em Santiago, desta vez para as inevitáveis compras no maior shopping local, o Parque Arauco, que supera em tamanho, variedade e qualidade os melhores shoppings brasileiros. Fomos jantar num excelente restaurante peruano chamado El Outro Sitio, que fica numa espécie de shopping somente de restaurantes, onde depois do pisco sour (nossa "caipirinha" brasileira de limão, mas com aguardente de uva, também parecido com a marguerita mexicana), pedimos o peixe marinado (ceviche de corvina), seguido de uma paella de mariscos e um spaghetti oriental com camarões equatorianos, que são do tipo VG; os camarões do Chile — não me pergunte por que, são muito pequenos e não são servidos em geral nos restaurantes que frequentamos.

Agenor FagundesNo dia seguinte, pé na estrada novamente para irmos visitar Valparaíso, Viña Del Mar, passando antes na casa mais famosa do poeta Pablo Neruda, o mais importante do Chile e um dos prêmios Nobel de Literatura. A outra chilena premiada anteriormente foi a poeta Gabriela Mistral, menos conhecida no Brasil. A casa de Neruda fica num penhasco sobre o Pacífico e é conhecido como Isla Negra, apesar de não ser uma ilha, fica em terra firme. Neruda se dizia grande amante do mar, desde que o estivesse vendo da terra firme. Assim, a casa é toda decorada com motivos marinhos e as coleções dos objetos mais diversos que o poeta fazia. Vale a pena a visita, pois é o que se espera de uma casa de uma pessoa sensível, autor de obra tão significativa.

Dali seguimos para Valparaíso, que tem sua importância como o maior porto do Chile e o mais próximo de Santiago, mas é uma cidade antiga, feia e maltratada, com muitas casas miseráveis como as favelas cariocas. Decididamente para nós não valeu a pena e batemos em retirada para Viña del Mar. Apesar de tão famosa, para nós brasileiros não tem atrativos como praias bonitas e há muitos prédios à beira-mar como Copacabana, a cidade estava engarrafada e não consta que haja bons restaurantes. De fato fomos levados a um restaurante tipicamente turístico, que declinamos, até acharmos um mais agradável à beira mar, mas nada especial, só deu para matar a fome, uma oportunidade perdida.

Dali seguimos de volta a Santiago em bela estrada, não sem antes parar na região vinícola de Casablanca, onde demos uma parada para degustar principalmente os vinhos brancos da região. Há uma história de que os vinhos brancos da região são mais próprios para se degustar com os peixes, um pouco pela idéia de proximidade das parreiras com o mar. Parece um excesso de sugestionamento, mas os vinhos valem a pena. Trata-se do mesmo grupo vinicultor Undurraga, que também produz o rótulo Taparacá, bastante conhecido no Brasil.

No jantar fomos ao restaurante Tierra Noble, muito agradável, no bairro de Vitacura, que tem uma proposta culinária original e interessante. Eles oferecem tudo na brasa, de ótimas carnes, aves, cordeiros, até peixes, camarões e os acompanhamentos que você pedir. A comida estava simples, mas com um sabor espetacular, tudo muito fresco assado no ponto certo. No dia seguinte, abandonamos o carro e a estrada e fomos caminhar na agradável rua Alfonso de Córdoba, onde se concentram as lojas mais elegantes da cidade, todas praticamente de grifes internacionais. Sem parar Agenor Fagundesmuito, caminhamos de 10h às 13h, ao sol do verão do Chile de 30ºC na sombra. Fazer o quê? Melhor vir na primavera ou no outono quando o clima é mais agradável, ou ainda no inverno quando o objetivo é aproveitar as oportunidades de esqui e outros esportes de inverno.

Voltamos para almoçar no Borde-Rio, desta vez escolhemos um restaurante italiano Due Torri, que fabrica suas próprias massas e tem um excelente menu. O jantar desta noite foi em um restaurante de carnes, o que definitivamente não é o forte do Chile, onde o comensal deve se ater aos excelentes frutos do mar, frutas, legumes e verduras e naturalmente aos vinhos. No restaurante Cuervodevaca, que se declara pelo nome, as opções são os diversos tipos de carne, mas todos de origem do sul do Chile. Temos de convir que Argentina, Uruguai e Brasil, nesta ordem, tem muito mais a oferecer aos amantes de carne. No Chile até mesmo importou-se o tipo de carne japonês Wagyu que se trata, seguindo a lenda de gado confinado, que não faz exercício e recebe massagens do tipo shiatsu, além de música clássica para relaxar seu estresse; desta carne experimentamos uma espécie de sashimi, muito interessante, mas não deu para identificar o tipo de massagem a que o animal tinha se submetido. No final, o Cuerodevaca ganhou nota 5 ou 6, quando por nossos critérios de escala de 0 a 10 no Chile praticamente estivemos sempre entre 8 e 10. A gastronomia é uma cultura aqui e com o câmbio favorável aos brasileiros é possível ter refeições requintadas e bem preparadas, com ótimos vinhos por preços bem inferiores aos do Rio e São Paulo, entre 30% e 50%, diríamos.

Mas o câmbio não é uma variável estável, de modo que o viajante deve estar atento a cada momento às oscilações entre os preços do Brasil e os preços do país.

Agenor FagundesPor falar em câmbio, no Chile, é mais prático utilizar o cartão de crédito, aceito em todos os lugares em que estivemos, até mesmo em algumas lojas menores de artesanato.
A opção também é usar os cartões de débito para sacar diretamente os pesos chilenos das extensas redes de caixas REDBANK que funcionam bem e rapidamente, estando presente nos aeroportos, shoppings e em alguns bares.

O curioso é que eles têm nas ruas e shoppings casas de câmbio oficiais, de boa aparência, onde o turista pode trocar dólares por pesos chilenos se esta for a opção. Tratando-se de alternativa tranqüila, segura e com taxas atraentes, ao contrário das experiências subterrâneas e paralegais de tão lamentável experiência no Brasil de outrora.

Bom, último dia no Chile, hora de voltar ao Brasil. O vôo saia às 15h, horário em princípio agradável, pois não obriga o passageiro a despertar cedo. Tendo que sair ao aeroporto por volta das 12h, a opção matutina, que foi muito agradável, foi fazer um passeio a pé pelo bairro de Vitacura, onde ficava nosso hotel. O bairro é muito tranqüilo e residencial, metade casas, metade apartamentos, muitos novos, muitos em construção e com belo acabamento e arquitetura: dá vontade de morar aqui, pois Santiago como um todo não lembra os centros caóticos do Rio e São Paulo, embora haja muitos engarrafamentos.

Os novos centros empresariais são localizados junto aos bairros novos, mas quem imagina que se parece com a Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, está enganado. Vitacura pode lembrar as ruas internas de Ipanema ou algumas mais agradáveis dos jardins paulistas, mas predomina um leve toque europeu.

Hora de partir, fim das curtas férias, retornaremos à rotina com a lembrança de boas aventuras, lugares novos, descobertas, descanso e diversão, objetivos de todas as nossas escapadas. Espero que o leitor tenha aproveitado algumas das indicações e organize sua próxima viagem, e ficamos à disposição para dúvidas, esclarecimentos e sugestões.

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3 Opiniões

  1. Istvan Lantos disse:

    Também quero este emprego de turista profissional!
    Para onde vcs vão mandar o Sr Fagundes agora?

  2. Jose Carlos disse:

    Gostamos tanto de seus comentários sobre o Chile e o Atacama que estamos indo hoje …
    Forte abraço e fico no aguardo de suas notícias sobre a sua proxima viagem !!!
    Viajar é preciso !
    Bravo Agenor !

  3. Marcos disse:

    Não vá ao restaurante Camino Real

    Passei o Réveillon de 01.01.2011, no restaurante Camino Real no Cerro San Cristobal em Santiago no Chile.
    Nunca vi ou recebi um serviço tão ruim, Comida mal feita, entrada de centola congelada, bife muito passado, bebidas só brigando com o garçom.
    Quando reclamei com o responsável, externado minha insatisfação, ouvi de volta que ele não estava interessado, pois eu já tinha pago. O valor foi de cerca de US$ 260,00 e só recebi descaso.

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