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Negócios no Brasil

A arte de cortejar o Estado

Regulamentar o lobby corporativo no Brasil pode abrir uma rota mais legítima para as empresas se relacionarem com o governo

A arte de cortejar o Estado
Abrig calcula que há cerca de 2 mil profissionais de relações governamentais no Brasil (Foto: Flickr)

Não é incomum ver ex-presidentes viajando o mundo para conseguir contratos para empresas de seu país. Mas, em meio a tantos escândalos de corrupção envolvendo o PT, não é de se admirar que o Ministério Público tenha decidido olhar com mais atenção para as viagens do ex-presidente Lula desde que ele deixou o cargo em 2011. Lula, ainda tão próximo do poder, visitou lugares como a República Dominicana e Gana, onde alguns de seus amigos íntimos ainda governam, alegadamente para persuadi-los a assinar contratos com a Odebrecht. A postura adotada pelo MP reflete preocupações mais amplas sobre as relações íntimas entre executivos e políticos brasileiros.

Nesse novo cenário, o lobista corporativo tornou-se o mais improvável dos heróis. Empresas brasileiras passaram a investir nas “relações governamentais” para substituir as relações pessoais que permeavam as institucionais. A maioria das grandes empresas já tem um departamento de relações governamentais dentro da própria empresa. Cada vez mais, escritórios de advocacia estão oferecendo consultorias nesta área, e cursos universitários especializados nisso estão surgindo.

A Associação Brasileira de Relações Institucionais e Governamentais (Abrig) calcula que há cerca de 2 mil profissionais de relações governamentais no Brasil. Suas fileiras incharam desde a crise financeira global, quando Lula, e em seguida sua protegida e sucessora, Dilma Rousseff, começaram a se intrometer mais no setor privado.

Lobistas brasileiros ainda não têm um conjunto de regras claras a seguir. Alguns aspectos do trabalho são regidos por leis contra a corrupção corporativa, conflitos de interesse e similares. Mas a Abrig está pressionando por reformas para exigir o registro de lobistas e a divulgação de quem eles abordam, em nome de quem e por quê. Sem dúvida, como em outros países, o lobby furtivo vai continuar fora do sistema formal, mas pelo menos a reforma iria fornecer uma rota legítima e regulada para as empresas se relacionarem com o governo.

Se o governo estará disposto a ouvir é outra questão. Muitos no círculo íntimo de Dilma não ousariam serem vistos com um lobista. As empresas de relações governamentais teriam de agir com sutileza e cuidado. Mesmo assim, em um país onde 40% do PIB passa pelo Estado, o lobby sempre existirá. Melhor, então, a variedade profissional.

Fontes:
The Economist - Courting the State

2 Opiniões

  1. André Luiz D. Queiroz disse:

    helo,
    Mas a ação do lobistas ajuda, ou atrapalha, o quê exatamente? O intervencionismo e burocracia do governo brasileiro é tão grande que, sem a a ação do lobbies, muitos negócios de vulto simplesmente não acontecem! Melhor então que a atividade de lobby seja regulamentada, para que haja um pouco mais de transparência nas coisas.

  2. helo disse:

    Tanto lobby do governo não ajuda, atrapalha.

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