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'To beer or not to beer'

A crise existencial da cerveja alemã

Cervejarias são acusadas de fixar preços e multadas em milhões de euros em um momento em que enfrentam queda no consumo e na produção

A crise existencial da cerveja alemã
Fabricação de cervejas caiu mais de 20% no país desde 1993 (Reprodução/NewYorker)

O mercado de cervejas alemãs está enfrentando uma crise existencial. Esta semana, o departamento anti- cartel do governo de Angela Merkel anunciou que vai multar em centenas de milhões de euros as quatro maiores cervejarias do país por fixação de preços. Segundo as autoridades alemãs, entre 2006 e 2008, as cervejarias conspiraram para manter os preços artificialmente elevados.

Até recentemente, a concorrência acirrada sempre manteve os preços das cervejas baixos no país. Nos supermercados de Berlim, por exemplo, não é difícil encontrar uma caixa com 20 garrafas de meio litro por menos de cinco euros. O escândalo recente representa um ponto baixo para a indústria, que tem encolhido substancialmente nos últimos anos.

Não que os alemães tenham parado de beber. Em 2011, um relatório da consultoria Kirin Holdings pôs os alemães em terceiro lugar no ranking dos países que mais bebem cerveja no mundo, com um consumo de cerca de 110 litros per capita por ano. Os alemães praticamente empataram com a Áustria, que ficou em segundo lugar, e ficaram um pouco atrás dos tchecos, os líderes mundiais, com um consumo de 125 litros per capita por ano.

Mas a bebedeira na Alemanha tem diminuído desde que atingiu um pico no final da década de 1970, quando os alemães ocidentais bebiam cerca de 160 litros per capita por ano cada. Um porta-voz da Federação das Cervejarias Alemães recentemente atribuiu esse declínio à perda de indústrias tradicionais como a mineração, insinuando que é menos socialmente aceitável beber uma garrafa de cerveja por dia quando as pessoas trabalham sentadas em frente ao computador ao invés de balançando picaretas. A população também está aderindo a hábitos mais saudáveis. Além disso, há uma mudança demográfica em curso: a taxa de natalidade do país vem caindo, por isso há menos jovens para beber quantidades prodigiosas de cerveja.

Segundo a Federação das Cervejarias Alemães, a fabricação de cerveja caiu mais de 20% no país desde 1993. E, em novembro de 2013, a produção havia caído 3% em relação ao mesmo período do ano anterior, de acordo com a empresa de pesquisa Canadean. Um dos problemas é que, na Alemanha, a indústria da cerveja é especialmente fragmentada: as três principais fabricantes controlam cerca de 30% do mercado. Na Holanda, em comparação, quatro fabricantes controlam mais de 90% do mercado . Isso significa que a Alemanha não tem fabricantes gigantes, que são mais bem equipadas para explorar mercados estrangeiros.

Fontes:
The New Yorker - German Beer´s Existencial Crisis

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