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A era das chamadas por vídeo

Aumento do interesse popular estimula empresas a lançarem equipamentos e sistemas dedicados exclusivamente a ligações por vídeo

A era das chamadas por vídeo
'ūmi telepresence': sistema de chamadas por vídeo da Cisco (Fonte: Divulgação)

Profetas da tecnologia vêm alardeando o triunfo das chamadas por vídeo desde os anos 1930, quando a Alemanha lançou o primeiro serviço público de telefone com vídeo. Contudo, uma avalanche de anúncios de empresas de tecnologia mostra que esse tempo pode ter chegado. Com uma população heterogênea – que engloba desde avós a empresários – crescentemente interessada na comunicação por vídeo, o mercado é inundado por novas tecnologias, de aparatos exclusivos a equipamentos de computador.

A Cisco, por exemplo, revelou na quarta-feira, 6, um sistema de chamadas por vídeo chamado “ūmi telepresence”, para ser instalado em salas residenciais. No mesmo dia, a Logitech lançou um set-top Box (STB) de televisão que também funciona como videofone. O novo videogame Xbox, que será lançado em novembro, também terá o recurso de videoconferência. Ao mesmo tempo, o mercado de equipamentos profissionais de vídeo começa a florescer, com empresas como a Skype, que oferece serviço de chamadas por computador, aventurando-se neste campo.

Toda essa atividade é uma reação à crescente popularidade desse tipo de comunicação. Na primeira metade deste ano, ligações com vídeo compuseram cerca de 40% dos 95 bilhões de minutos que as pessoas passaram no Skype. Embora a Cisco tenha vendido apenas 900 aparelhos “ūmi telepresence”, o número é expressivo, considerando-se que cada aparelho custa até U$350 mil, sem contar os caros upgrades.

Vendedores de sistemas mais baratos, como a Polycom, também estão se saindo bem. Além da melhora tecnológica, uma nova visão em relação à comunicação por vídeo também mudou, diz Scott Morrison, do instituto de pesquisa de mercado Gartner.

Após usar o vídeo em casa para deixar as avós verem os netos em seus computadores, as pessoas agora se sentem mais confortáveis para usá-lo no trabalho. Executivos de alto escalão estão se acostumando com os sistemas de “telepresença” vendidos pela Cisco e afins, aumentando o uso da tecnologia dentro de empresas.

A Cisco e a Logitech aproveitam o momento para capitalizar – especialmente dentro dos lares. O equipamento da Cisco, mais desafiador, é um sistema dedicado exclusivamente à ligação por vídeo. O pacote inclui uma câmera e um console, que custam juntos U$ 599. Os clientes pagam U$ 25 por mês por um pacote ilimitado de ligações, além de precisarem de uma televisão de alta definição e conexão rápida com a internet para obterem bons resultados.

Pequenos obstáculos

Apesar de todo o progresso, a comunicação por vídeo provavelmente não está pronta para tomar o mundo de assalto. A maioria dos sistemas ainda é incompatível, e uma padronização técnica ainda está distante. Da mesma maneira, não se sabe como os sistemas vão se espalhar. A Gartner prevê que o crescimento de sistemas de “telepresença” irá permitir que companhias mantenham funcionários dentro dos escritórios, poupando milhares de viagens de avião por ano e cortando custos de aluguel de carros. Ainda assim, não se sabe se vendedores que viajam, por exemplo, poderão adotar a tecnologia.

Outra questão é a dúvida se clientes preferirão sistemas exclusivamente dedicados ao vídeo àqueles que servem a outros propósitos, como computadores ou videogames. Companhias precisam dos dois tipos: os exclusivos para reuniões e os baseados em computador, para comunicação diária. Qualquer que seja o sistema escolhido, consumidores encontrarão novas maneiras de utilizá-lo. Algumas famílias já realizam “jantares de Skype”, com parentes ligando simultaneamente. Da mesma maneira, algumas firmas começaram a experimentar com “geladeiras virtuais”, conectando as cozinhas de seus escritórios por um link de vídeo permanente. Se isso vai impulsionar a produtividade ou encorajar debates a longa distância sobre futebol ou televisão, ainda não se sabe.

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Pode deixar que eu te ligo pelo Skype!

Fontes:
Economist - Video communication: Beaming in Grandma

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