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França socialista

A falta de competitividade da economia francesa

O governo francês parece finalmente entender que é necessário agir para recuperar a competitividade do país

A falta de competitividade da economia francesa
Na França, o aumento dos fechamentos de fábricas, impõem uma dura noção de realidade (Reprodução/Internet)

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É o fim do expediente diurno e os trabalhadores da fábrica de carros da Peugeot em Aulnay-sous-Bois, perto de Paris, estão saindo pelas portas giratórias. A raiva e a decepção são enormes. Em julho, quando a empresa anunciou que a fábrica, que emprega 3.000 trabalhadores, seria fechada, o presidente François Hollande considerou a decisão, em alto e bom tom, “inaceitável”. Após dois meses e um relatório oficial, seu governo agora aceitou o destino da montadora. “Hollande disse que tomaria conta de nós”, afirma Samir Lasri, que trabalhou na linha de produção por 12 anos: “e agora nos arrependemos de ter votado nele”.

A decisão da Peugeot-PSA, uma montadora de carros deficitária, de fechar sua fábrica em Aulnay, o primeiro fechamento de uma fábrica de carros francesa em 20 anos, e extinguir 8.000 empregos por todo o país atordoou a França. Esta situação se tornou um emblema tanto do problema de competitividade do país quanto da relativa impotência do novo governo socialista para, apesar de suas promessas, interromper as reestruturações no setor privado. Apesar de ser duro para os trabalhadores afetados, o fechamento pode ter tido pelo menos um efeito positivo: conscientizar o país de que a França está perdendo competitividade e de que o governo precisa fazer algo a respeito.

Ao longo dos últimos 12 anos, criou-se um intervalo de competitividade entre a França e a Alemanha, sua principal parceira comercial. Isso se revela tanto em custos de unidade de trabalho para o setor manufatureiro, que subiram 28% na França desde 2000, mas apenas 8%  na Alemanha, como na parcela francesa de exportações para fora da UE. No entanto, neste outono, conforme acumulam-se os fechamentos de fábricas, uma noção da realidade parece estar se impondo. Hollande pode ainda estar irredutível a respeito de seu imposto de 75% sobre grandes fortunas, ainda que pareça termudado de opinião quanto a outras questões. Não apenas o fechamento de Aulnay foi aceito, mas Hollande comentou a respeito de futuros esforços “dolorosos”. Ele alertou sobre cortes de gastos de US$ 13 bilhões, bem como um aumento de impostos de US$ 26 milhões para o orçamento de 2013.Acima de tudo, ele sugeriu uma “reforma do mercado trabalhista”, o que tradicionalmente é tabu para a esquerda.

Fontes:
The Economist-The performance gap

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1 Opinião

  1. Regina Caldas disse:

    Chirac realizou muitas das medidas que agora voltam á agenda de Hollande. Assim, dá para crer que governantes não refletem s/maus exemplos de governos passados. Chirac aumentou impostos que resultaram na transferência de itas empresas para fora da França, bem como diminuiu as horas de trabalho dos operários achando que isto resultaria em mais contratações.. Não deu certo. A França tem, desde Chirac passado por evasão de cérebros.
    Sugiro que algum escritor ou jornalista escreva um “Manual da Humildade”, de leitura obrigatória por todo eleito ao cargo máximo de seu próprio pais. Neste manual seriam relatados todos os erros cometidos por governantes e suas consequências.

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