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O desafio da Noruega de gerir seu fundo soberano

É difícil para uma pequena democracia gerir o maior fundo soberano do mundo

O desafio da Noruega de gerir seu fundo soberano
Ainda é muito cedo para fazer qualquer previsão de longo prazo, mas alguns noruegueses estão preocupados (Foto: Wikipedia)

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Só 20 anos depois que o governo da Noruega fez o primeiro depósito em seu fundo soberano, o país está começando a aprender como administrar um gigante. O fundo, que é usado para investir no exterior os recursos obtidos com a produção de petróleo e a exportação de gás, acumulou uma fortuna maior do que a prevista, graças aos preços elevados do petróleo. Com a redução dos benefícios diretos da exploração e produção de petróleo e gás, e a queda em torno de 46% do rendimento total da produção, a importância do fundo irá aumentar. Agora, as receitas anuais do fundo ultrapassam a renda da exportação de petróleo.

Esta semana o Government Pension Fund Global da Noruega atingiu o valor de 7,3 bilhões de coroas norueguesas (US$882 bilhões), mais do dobro do PIB do país. Nenhum fundo soberano é maior do que o da Noruega. O fundo possui mais de 2% de todas as ações listadas nas bolsas de valores da Europa e mais de 1% em termos globais.

A Noruega foi muito meticulosa na concepção de seu fundo soberano. No entanto, suas expectativas podem mudar, assim como os rumos do país. Os noruegueses com seus carros Tesla importados não hesitam tanto como antes em exibir sua riqueza. Os que têm menos de 50 anos só conheceram um mundo no qual 5,2 milhões de noruegueses eram as pessoas mais ricas. A imigração atingiu um nível recorde, em especial depois do afluxo dos refugiados sírios.

O Partido do Progresso, de tendência populista e de oposição à imigração, reivindica há muito tempo um investimento maior das receitas da exportação de petróleo na economia nacional. Mas como resultado de uma coalizão com o Partido Conservador em 2013, a líder do Partido do Progresso, Siv Jensen, foi nomeada ministra das Finanças. A partir desse momento, o partido manteve uma postura mais austera.  Porém no primeiro semestre deste ano, pela primeira vez o governo fez uma retirada líquida de 45 bilhões de coroas norueguesas do fundo, uma quantia maior do que as receitas da exportação de petróleo. Os rendimentos recentes mais baixos significam também que o capital do fundo teve uma pequena redução.

Ainda é muito cedo para fazer qualquer previsão de longo prazo, mas alguns noruegueses estão preocupados. “É muito difícil ter uma quantia de dinheiro tão grande à disposição e, ao mesmo tempo, cortar custos”, disse alguém próximo à administração operacional do fundo.

Yngve Slyngstad, o executivo-chefe do fundo, é otimista, mas reconhece que poucas democracias mantêm fundos soberanos, porque os políticos sempre preferem gastos maiores e impostos baixos. Ele nega que tenha sofrido pressão política. Porém há uma tendência crescente a gastar mais, ou usar o fundo de uma forma diferente. Alguns se queixam que os retornos relativamente modestos em dólar sobre os investimentos, no valor de 5,5% por ano desde 1998, refletem uma cautela excessiva entre os que administram a estratégia do fundo.

Fontes:
The Economist-How to not spend it

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