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Negócio polêmico

A insistência francesa em vender navios de guerra para a Rússia gera incômodo

Em um momento em que a Europa e os EUA tentam coordenar sanções contra a Rússia, esse acordo provoca desconforto

A insistência francesa em vender navios de guerra para a Rússia gera incômodo
Enquanto a crise da Ucrânia se agrava, a venda dos porta-helicópteros está gerando novos atritos (Reprodução/Internet)

Mesmo antes de a França firmar um acordo em 2011 para fabricar dois porta-helicópteros para a Rússia, a ideia provocava desconforto generalizado. Caso a Rússia tivesse tais navios em 2008, afirmou o seu comandante naval, o almirante Vladimir Vysotsky, teria vencido a guerra contra a Geórgia em “40 minutos em vez de 26 horas”. Os vizinhos da Rússia estavam em situações complicadas, mas o mesmo podia ser dito a respeito dos aliados mais próximos da Rússia. Em Paris antes da celebração do acordo, Robert Gates, então secretário de defesa americano, teve o que ele chamou de uma “troca de opiniões completa” com os franceses: código para “desavença séria”.

Agora, em um momento em que a crise da Ucrânia se agrava, a venda dos porta-helicópteros está gerando novos atritos. Em uma reunião em Washington com John Kerry, secretário de estado dos EUA, na semana passada, Lauren Fabius, ministro de relações exteriores da França, se viu obrigado a defender o negócio.

Em um momento em que a Europa e os EUA tentam coordenar sanções contra a Rússia, esse acordo provoca desconforto. As poderosas embarcações, com 199 metros de comprimento, não são equipadas com artilharia, mas sua capacidade para transportar e desembarcar centenas de soldados e mais de dez tanques e veículos anfíbios, bem como transportar 16 helicópteros, aumenta em muito sua projeção de força. O primeiro dos dois navios, batizado de Vladivostok, estará pronto para ser entregue à Rússia em outubro deste ano; o segundo, batizado com o nome mais insinuante de Sevastopol, no meio de 2015. Em julho, 400 membros da marinha russa chegarão a Saint-Nazaire, a cidade portuária francesa no Atlântico onde as embarcações estão sendo fabricadas.

Há 400 empregos diretamente relacionados no estaleiro de Saint-Nazaire, e mais de 1.000 dependem do contrato. O estado francês é dono de 33% da STX France, a proprietária do estaleiro, e ordens da marinha francesa orientam a empresa. Em um momento de alto desemprego, o presidente François Hollande não tem condições de pôr mais empregos em risco. E a violação de um contrato de US$ 1,7 bilhões geraria uma enorme multa rescisória para a Rússia, que já estabeleceu metade do preço da embarcação como penalidade. Por isso a recusa consistente da França em considerar qualquer possibilidade diferente de completar a construção conforme planejado.

Fontes:
The Economist-Mistral blows

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1 Opinião

  1. Roberto1776 disse:

    Quem diria, os despojos do império comunista, o Reich de 70 anos, pedindo penico para os franceses.
    Pelo jeito a solução é a França entregar os navios com bugs em seus sistemas. Isso resolve tudo.

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