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Crises Econômicas

A maldição dos arranha-céus existe?

O economista Andrew Lawrence criou a expressão após ao observar a correlação entre a construção dos prédios mais altos do mundo e as crises econômicas

A maldição dos arranha-céus existe?
O Empire State Building foi inaugurado em 1931 durante a Grande Depressão (Reprodução/Internet)

O mundo está assistindo a um boom da construção de arranha-céus. Em 2014 quase cem prédios com mais de 200 metros de altura foram construídos em um ritmo sem precedentes. Neste ano, Xangai, a capital de negócios da China, inaugurará o Shanghai Tower, que será o segundo maior prédio do mundo. Na Arábia Saudita, o Kingdom Tower ultrapassará em altura todos os demais arranha-céus (a torre é duas vezes mais alta do que o One World Trade Center em Nova York, o maior arranha-céu do continente americano). Esse frenesi de construções é um mau sinal para a economia mundial? Diversos acadêmicos e especialistas, muitos deles citados em The Economist, têm defendido essa tese, mas um novo estudo lança dúvidas a esse respeito.

Em 1999 Andrew Lawrence, na época um economista do banco de investimentos Dresdner Kleinwort Benson, criou a expressão “maldição dos arranha-céus”, para designar a correlação curiosa que observara entre a construção dos prédios mais altos do mundo e as crises econômicas. A inauguração do Singer Building e da Metropolitan Life Tower em Nova York, em 1908 e 1909, respectivamente, coincidiu com a crise financeira de 1907 e com a recessão nos anos seguintes. O Empire State Building foi inaugurado em 1931 durante a Grande Depressão (logo apelidado de “Empty State Building”). As Petronas Towers, na Malásia, na ocasião as torres mais altas do mundo, foram inauguradas pouco antes do colapso financeiro no Leste Asiático. O Burj Khalifa em Dubai, o mais alto arranha-céu do mundo, foi inaugurado em 2010 em meio a uma crise na economia local e mundial.

Os arranha-céus podem ser um investimento extremamente lucrativo, visto que quanto maior for o número de andares, maior a renda gerada em um mesmo terreno.  Mas a partir de determinado ponto o acréscimo de andares deixa de ser um bom negócio, devido aos custos marginais, por exemplo, da instalação de mais elevadores ou do reforço das estruturas de aço para impedir que o prédio oscile com o vento, que excedem as receitas marginais dos aluguéis ou vendas. Segundo um estudo do economista William Clark e do arquiteto John Kingston publicado em 1930, a altura ideal para a maximização dos lucros gerados por um arranha-céu construído no centro da cidade de Nova York na década de 1920, era de até 63 andares. (A altura ideal não deve ser muito diferente hoje.) A construção de prédios cada vez mais altos poderia, então, ser um indício de que, por excesso de otimismo, os investidores estão superestimando os possíveis retornos financeiros de novas construções.

Em um artigo recente, Jason Barr, Bruce Mizrach e Kusum Mundra, da Rutgers University, analisaram a tese de Lawrence. O estudo examinou 14 arranha-céus que, ao serem inaugurados, eram os mais altos edifícios do mundo, e os comparou com o crescimento do PIB norte-americano.

Se, como sugere a teoria da maldição dos arranha-céus, a decisão de construir prédios mais altos coincide com o pico do ciclo econômico, essas construções poderiam ser usadas para prever o comportamento futuro do PIB. Porém o prazo entre o anúncio da construção dos prédios e o pico do ciclo econômico varia de zero a 45 meses. E só sete dos 14 arranha-céus foram inaugurados durante um período de desaceleração da economia. Portanto, nem o anúncio da construção e da conclusão da obra são indicadores precisos de uma recessão ou de uma crise financeira.

Fontes:
Economist-Towers of Babel

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