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A missão impossível da limpeza industrial de Fukushima Dai-ichi

Na previsão inicial da Tepco, a empresa encarregada de realizar a limpeza industrial, esse trabalho teria a duração de 30 a 40 anos

A missão impossível da limpeza industrial de Fukushima Dai-ichi
O custo total dessa limpeza industrial, assim como o prazo, ainda não foi definido (Reprodução/Reuters)

A descontaminação da usina nuclear de Fukushima Dai-ichi é um dos projetos mais complexos e caros de limpeza industrial do mundo. Os três primeiros dos seis reatores de Fukushima Dai-ichi derreteram em março de 2011 e o quarto está danificado. Na previsão inicial da Tepco, a empresa encarregada de realizar a limpeza industrial, esse trabalho teria a duração de 30 a 40 anos. Mas essa previsão é muito otimista.

Os engenheiros estão enfrentando problemas extremamente difíceis. Akira Ono, o administrador da central nuclear, disse que as câmeras começaram a examinar o primeiro reator para verificar o estado das 100 toneladas de combustível derretido. Será preciso fabricar um robô para retirar o combustível. Em outubro de 2014 a empresa anunciou que esse trabalho de remoção se iniciará em 2025. Porém na opinião de Dale Klein, antigo chairman da Nuclear Regulatory Commission dos Estados Unidos, enquanto os engenheiros não descobrirem como remover o combustível todo, o prazo de descontaminação da usina é uma mera suposição.

O custo total dessa limpeza industrial, assim como o prazo, ainda não foi definido. Segundo a Tepco, a descontaminação dos quatro reatores danificados de Dai-ichi custará ¥980 bilhões, mas essa quantia não inclui a limpeza, o armazenamento de combustível e a indenização. Em um cálculo mais amplo, o Japan Centre for Economic Research, um instituto de pesquisa privado, avaliou o custo nos próximos dez anos de ¥5,7 trilhões a ¥20 trilhões, porém esse valor exclui o pagamento de indenização aos pescadores e fazendeiros. Um cálculo ainda mais abrangente feito pelo mesmo instituto estimou que o custo total do desastre nuclear será de ¥40 trilhões a ¥50 trilhões.

Graças à ajuda financeira do governo, a empresa que administrou Fukushima Dai-ichi de forma incompetente continua a trabalhar no projeto. É possível até que tenha lucro este ano.

Fontes:
The Economist-Mission impossible

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