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A mudança no padrão de consumo nos EUA

Livro descreve a evolução dos hábitos de consumo da elite americana

A mudança no padrão de consumo nos EUA
Classe alta dos EUA prefere consumir produtos com um valor social, como café orgânico (Foto: Pixabay)

Os símbolos de status são tão antigos como a humanidade. Quando os cidadãos de Roma enriqueceram e os plebeus começaram a decorar suas casas, as elites colocaram mosaicos nas suas moradias, como uma forma de mostrar a diferença social. Na Inglaterra vitoriana, as mulheres da classe operária usavam meias de lã para imitar a meia de seda das aristocratas. No final do século XIX, Thorstein Veblen, um sociólogo americano, criticou o “lazer frívolo” dos grandes industriais da época, bem como lamentou o “consumo conspícuo” das classes trabalhadoras que queriam imitar o acesso dos ricos aos bens de luxo.

O consumo de bens caros, um sinal visível de riqueza, ainda existe. Mas, assim como as elites antigas mudaram seus hábitos, quando as massas começaram a copiá-las, agora as elites americanas rejeitam a ideia de acumular bens pela simples razão que a globalização os tornou acessíveis à classe média. Em vez disso, como escreveu Elizabeth Currid-Halkett em The Sum of Small Things: A Theory of the Aspirational Class, a classe alta dos EUA prefere consumir produtos com um valor social, como café orgânico produzido de maneira sustentável e com respeito ao meio ambiente. A elite americana valoriza também o “consumo discreto”, como a ênfase em educação.

Agora, em vez de encher as garagens de suas casas com carros luxuosos, que chamam atenção, a elite gasta o dinheiro em bens menos visíveis, porém mais valiosos. Aprincipal preocupação é a educação dos filhos. Hoje, as despesas com a escola e a universidade superam em quase quatro vezes os gastos em 1996.

Em vez de desperdiçar o precioso tempo de lazer em frivolidades, a elite americana investe em experiências enriquecedoras, como a assinatura de entradas para espetáculos de ópera e música clássica, e férias em lugares distantes e exóticos. Os filhos, que absorvem o “capital cultural” dos pais, desenvolvem as aptidões necessárias para serem admitidos nas melhores universidades do país, que formam as futuras elites.

Em The Sum of Small Things, a autora descreve as diferenças entre as grandes cidades americanas, como, por exemplo, a liderança no consumo de água mineral em Los Angeles e de gastos com sapatos em Nova York, e mostra que a classe dos que aspiram uma ascensão social e querem imitar os ricos concentra-se quase exclusivamente nas cidades costeiras e urbanas.

 

Fontes:
The Economist-Modern American elites have come to favour inconspicuous consumption

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1 Opinião

  1. Lucelia Lira disse:

    Ainda bem que os hábitos de consumo estão mudando por lá.

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