Início » Economia » A nova economia do petróleo: xeiques versus xisto
Petróleo

A nova economia do petróleo: xeiques versus xisto

A economia do petróleo mudou. Algumas empresas vão falir, mas o mercado será mais saudável

A nova economia do petróleo: xeiques versus xisto
Os grandes importadores de petróleo como os países da zona do euro, a Índia, Japão e Turquia estão se beneficiando com uma receita inesperada em seus orçamento (Reprodução/KAL)

De acordo com os estatutos da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), a meta da organização “é estabilizar os preços do petróleo nos mercados internacionais”. Mas isso não tem acontecido. Em junho, o preço do barril de petróleo chegou a ser cotado a quase $115, mas em seguida começou a cair e, agora, está em torno de $70.

Essa redução de quase 40% é resultado em parte da recessão da economia mundial, que está consumindo menos combustível do que o previsto, e também em razão de a Opep ter produzido mais petróleo do que os mercados poderiam absorver.

Porém os principais culpados dessa queda acentuada são os produtores de petróleo de Dakota do Norte e do Texas. Nos últimos quatro anos, quando o preço oscilou em torno de $110 por barril, eles começaram a extrair petróleo de reservas inexploradas de xisto. A perfuração obsessiva desses produtores criou 20 mil novos poços de exploração, dez vezes mais do que o computado pela Arábia Saudita, e elevou a produção de petróleo dos Estados Unidos para quase 9 milhões de barris diários (bpd). A produção saudita é de apenas 1 milhão a mais de barris diários em comparação com o volume produzido pelos EUA. Essa competição entre os produtores de petróleo extraído do xisto e os xeques árabes inverteu a situação mundial, de escassez para um excesso de petróleo no mercado.

O preço mais barato do barril de petróleo terá o efeito de uma injeção de adrenalina no crescimento global. A redução de $40 do preço do barril transferirá cerca de $1,3 trilhão das mãos dos produtores para os consumidores. O motorista americano, por exemplo, que gastou $3 mil em 2013 nas bombas de gasolina, poderá ter um desconto de $800 por ano, o equivalente a 2% do aumento de renda.

Os grandes importadores de petróleo como os países da zona do euro, a Índia, Japão e Turquia estão se beneficiando com uma receita inesperada em seus orçamentos. E como a tendência é gastar esse dinheiro, em vez de depositá-lo em um fundo de investimento, o PNB mundial aumentará. Com a queda da cotação do preço do petróleo e a consequente redução de uma inflação já baixa, é possível que os bancos centrais sejam menos rigorosos com a política monetária. O Federal Reserve, por exemplo, adiará por mais tempo a elevação das taxas básicas de juros; e o Banco Central Europeu (BCE) terá uma atuação mais incisiva para evitar a deflação com a compra de títulos do tesouro nacional.

Haverá, é claro, perdedores nessa nova conjuntura mundial. Os países produtores de petróleo cujos orçamentos dependem dos preços altos do barril do petróleo estão em uma situação bastante delicada. No início de dezembro a cotação do rublo caiu diante das previsões mais sombrias para a Rússia. A Nigéria foi obrigada a aumentar a taxa de juros e desvalorizar a naira. Na Venezuela há especulações do não pagamento da dívida externa. O espectro da inadimplência, e a velocidade e escala da queda dos preços têm criado tensão nos mercados financeiros. Mas o efeito econômico do petróleo mais barato é, sem dúvida, positivo.

Fontes:
The Economist-Sheikhs v shale

Sua Opinião

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios são marcados *