Início » Economia » A relação entre envelhecimento e inflação
Demografia

A relação entre envelhecimento e inflação

O problema não está em identificar as possíveis conexões entre envelhecimento e preços, e sim descobrir o motivo da redução dos preços

A relação entre envelhecimento e inflação
A deflação persistente do Japão nos últimos vinte anos tem sido vista como uma prova que os preços caem quando o país envelhece (Reprodução/Internet)

Quando se pensa no impacto econômico da demografia, o Japão é o canário mais encarquilhado de todos os canários levados tradicionalmente para as minas de carvão. O Japão envelheceu mais rápido do que qualquer outro grande país: a idade média aumentou de 34 anos em 1980 para 46 e continuará a aumentar ao longo dos anos. Mas logo terá a companhia de países ricos como a Finlândia e a Coreia do Sul, além de gigantes em desenvolvimento como a China e a Rússia. Os economistas em geral concordam que o envelhecimento da população causa um crescimento mais lento, porque a produção potencial de um país tende a cair à medida que a mão de obra diminui. Eles preveem também encargos fiscais mais pesados, com o aumento de pensionistas de uma base fiscal menor.

No entanto, até há pouco tempo não havia muitas pesquisas sobre os efeitos da demografia na inflação. O exemplo da deflação persistente do Japão nos últimos vinte anos tem sido visto como uma prova que os preços caem quando o país envelhece e o crescimento reduz seu ritmo. O primeiro-ministro do Japão, Shinzo Abe, tem tentado reverter essa situação, com uma flexibilização monetária maciça para aumentar os preços. Com a inflação bem abaixo da projeção de 2% do Banco do Japão nos últimos meses, é tentador concluir que o envelhecimento é uma força poderosa demais para ser eliminada. Mas novas pesquisas reforçam os argumentos dos defensores do Abenomics, pelo menos na questão demográfica. As pesquisas mostraram que a deflação não é o resultado predeterminado do envelhecimento.

O problema não está em identificar as possíveis conexões entre envelhecimento e preços, e sim descobrir o motivo da redução dos preços. No que se refere aos fatores de produção, quando o crescimento é mais lento as empresas controlam os investimentos  e, em consequência, o custo do capital diminui. No entanto, os salários aumentam quando a oferta de mão de obra diminui. No campo da política fiscal, alguns países endividados precisam fazer cortes penosos à medida que o número de pensionistas aumenta, o que provoca um crescimento mais lento e uma inflação mais constante. Mas outros podem optar em monetizar a dívida, com o consequente aumento da inflação.(Algumas pessoas suspeitam que essa seja a meta final do Abenomics.)

Como analisar essas diversas contingências? Em um artigo recente, Mitsuru Katagiri do Banco do Japão, e Hideki Konishi e Kozo Ueda da Universidade de Waseda, fizeram a distinção entre o envelhecimento demográfico causado por uma taxa menor de natalidade e a provocada pelo aumento da longevidade. O principal efeito de uma taxa menor de natalidade seria a diminuição da base de impostos; com isso, o governo adotaria uma política inflacionária para diminuir a dívida e continuar solvente. Porém a perspectiva de vidas mais longas significa um aumento do número de pensionistas; por outro lado, com a influência política crescente da população mais idosa o governo teria de adotar uma política monetária mais rígida, para evitar que a inflação corroesse a poupança.

Fontes:
The Economist-Money for old folk

Sua Opinião

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios são marcados *