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A reviravolta da indústria automobilística dos Estados Unidos

Indústria teve uma recuperação supreendente desde 2009, quando a GM e a Chrysler pediram concordata, mas ainda há motivos de preocupação

A reviravolta da indústria automobilística dos Estados Unidos
O novo Ford GT, o carro mais rápido do mundo (Reprodução/AFP)

O novo Ford GT, a sensação do Salão do Automóvel de Detroit, é mais uma exibição de força da indústria automobilística dos Estados Unidos. A versão especial do carro mais rápido do mundo, exibida em 13 de janeiro, revela a autoconfiança criada pela reviravolta incrível do setor automobilístico desde 2009, quando a GM e a Chrysler pediram concordata, e por pouco a Ford não teve o mesmo destino. Mas o GT representa também um escapismo. O crescimento da economia dos EUA atingiu um pico e, portanto, existem mais motivos de preocupação do que fabricar um carro que em poucos segundos chega a 100 km/h.

Mas o otimismo em Detroit tem suas razões. As vendas caíram para 10 milhões de carros nos EUA no auge da crise financeira. A recuperação foi muito mais rápida do que o previsto. Depois de crescimento de mais de 1 milhão em cada um dos últimos quatro anos, as vendas de automóveis atingiram 16,5 milhões em 2014, o melhor desempenho desde 2006. No entanto, esse dinamismo está se esgotando. Alguns analistas e executivos da indústria automobilística reconhecem que o crescimento será mais modesto nos próximos anos. Apesar do crédito barato, da gasolina com um preço mais baixo e do aumento da oferta de emprego, as compras de automóveis não devem aumentar.

Em poucos anos a indústria automobilística dos EUA esqueceu as falências e resgates financeiros de 2009. Entretanto, a fabricação de mais carros para um mercado sem tendência de crescimento significará, inevitavelmente, o retorno ao antigo e péssimo hábito de dar grandes descontos nos preços para rodar o estoque.

A GM e a Ford alegam que suas operações cronicamente deficitárias na Europa estão em fase de recuperação, mas há anos que repetem o mesmo chavão. Porém os sinais recentes de um crescimento menor da China em 2015, seguido de uma forte desaceleração em 2014, são preocupantes. Por isso, não surpreende que o setor automobilístico queira criar uma situação fantasiosa com seus super carros chamativos.

Fontes:
The Economist - Hypercars and hyperbole

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