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Mulheres, trabalho e filhos

A volta das donas-de-casa

Após a virada de milênio, a proporção de mães americanas que optam por trabalhar como donas de casa vem aumentando continuamente nos últimos 15 anos

A volta das donas-de-casa
Ficar em casa, cuidando dos filhos, têm sido a opção de muitas mulheres na última década (Reprodução/GettyImages)

Cada dona de casa suburbana, escreveu Betty Friedan em 1963, enfrenta uma única pergunta enquanto arruma as camas, faz compras, leva as crianças para a escola e deita ao lado de seus marido à noite: “Isso é tudo”? Alguns anos após o seu livro revolucionário, “A Mística Feminina”, ter sido publicado, o Census Bureau começou a coletar dados sobre a proporção de mães que optam por ficar em casa. Ao longo das décadas subsequentes, os dados responderam à pergunta de Friedan com um sincero não.

Em 1967, a proporção de mães que não trabalhavam fora de casa era de 49%; na virada do milênio essa proporção havia caído para 23%. Muitos acreditavam que esse número continuaria a cair à medida que as mulheres procurassem “fazer tudo”. Ao invés disso, a proporção de mães donas de casa vem aumentando continuamente nos últimos 15 anos, de acordo com novos dados analisados pelo Pew Research Centre.

Isso, em parte, reflete mudanças demográficas. Imigrantes, uma parcela cada vez maior da geração em questão, têm uma probabilidade maior de serem mães donas de casa do que mulheres nascidas nos EUA. Também há um componente econômico para a mudança: ao fim dos anos 90, quando a proporção de mães donas de casa atingiu o seu ponto mais baixo, a economia estava criando tantos empregos que a maioria das pessoas que queriam trabalhar, conseguiam fazê-lo. Agora mais mulheres relatam que não conseguem encontrar emprego, ou que estão estudando para conseguir encontrar uma oportunidade mais tarde. Mas também há um elemento de escolha: um quarto das mães donas de casa tem diploma universitário.

O aumento da proporção de mães donas de casa não parece se adequar muito a outra grande tendência que afeta as vidas das mulheres: seu relativo sucesso no mercado de trabalho. As mulheres hoje em dia detêm metade dos empregos dos EUA, uma alta em relação aos 32% de 1964. Como as mulheres podem estar dominando o mercado de trabalho e simultaneamente optando por abandoná-lo? A resposta é que os homens têm saído do mercado de trabalho ainda mais rapidamente. A participação na força de trabalho (para ambos os sexos) vem caindo desde 2000, mas caiu mais rápido para homens (de 75% para 69%) que para mulheres (60% para 57%).

Fontes:
The Economist-The return of the stay-at-home mother

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