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O leviatã como capitalista

A volta do capitalismo de estado na economia mundial

O capitalismo de estado continua a desafiar as expectativas acerca do seu declínio

A volta do capitalismo de estado na economia mundial
O que se deve pensar sobre a volta do capitalismo de estado? (Reprodução/BrettRyder)

O capitalismo de estado está em quase todos os lugares. Na China, empresas nas quais o estado detém a maior parte de suas ações respondem por 60% do total do valor de mercado das empresas abertas. Na Rússia e Brasil empresas detém a maioria ou uma posição minoritária significativa correspondente a 30-40% do valor total. Mesmo em bastiões da ortodoxia econômica como Suécia e Noruega empresas de propriedade do estado respondem por 5% do total do valor das empresas negociadas em bolsa.

Os governos chinês e russo não dão sinais de que desejam abrir mão do comando da economia. As privatizações parecem ter sido suspensas no Brasil e na Índia. O governo francês comprou parte da Alstom ou parte de seus negócios – o que se acrescentaria às posições que a França e a Alemanha detêm da Airbus e daquela que o governo francês adquiriu da Peugeot.

O que se deve pensar sobre a volta do capitalismo de estado? Alguns o louvam como uma forma superior de capitalismo, enquanto outros o tratam como uma mera etapa em direção ao capitalismo de verdade.

“Reinventing State Capitalism”, um novo livro de Aldo Mussacchio, da Harvard Business School e Sergio Lazzarini, do Insper, uma universidade brasileira, lança um novo olhar sobre a questão. Observa-se que o velho modelo de leviatã-como-empreendedor foi posto de lado pela onda de privatizações dos anos 80 e 90, quando os governos se deram conta de que poderiam ganhar dinheiro com suas empresas ao invés de constantemente saldar suas dívidas. Mas o leviatã reapareceu sob três disfarces – acionista majoritário ou minoritário e investidor indireto.

Os autores reuniram muitas evidências de que o novo Leviatã retém algumas das fraquezas de sua versão mais antiga. Isso fica especialmente claro no Brasil, onde dois presidentes sucessivos do Partido dos Trabalhadores, Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff, passaram por cima dos direitos dos acionistas em nome do interesse nacional.

Fontes:
The Economist-Leviathan as capitalist

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1 Opinião

  1. Carlos U Pozzobon disse:

    É sinal de que teremos crise pela frente em todo o mundo governado pelo capitalismo estatal. Trata-se de um modelo de desenvolvimento que procura conciliar a concessão de empregos e benefícios para a clientela política dos partidos no poder. Se construído como monopólios estatais, em pouco tempo leva a sociedade ao economicídio, pela necessidade de regulamentar todas as suas ações com uma burocracia gigantesca, e dar as costas a toda racionalização baseada na eficiência. Na impossibilidade de dispensar gastos desnecessários que ficam ancorados em privilégios outorgados em nome do bem comum, recorre ao aumento de preços constantemente como única alternativa, fazendo com que a sociedade fique defasada do resto do mundo privado e provocando a exclusão social crescente quando não marginalizando setores inteiros da população. Já vivemos esta realidade no tempo do sistema Telebras e, a volta do capitalismo de estado na AL chama-se bolivarianismo, mas na Europa faz parte do modelo político assistencialista. No Brasil, o capitalismo de estado sempre existiu, desde os tempos da colônia e nunca foi abolido pelas forças políticas, comprovando que seu enraizamento social é muito maior do que se imagina. Se a Petrobras tivesse sido privatizada nos anos 90, e o mercado aberto à competição estrangeira, o Brasil poderia estar exportando uns 3 milhões de barris por dia, oferecer gasolina a R$ 1,50 nas bombas e o governo lucrar uns 150 bilhões anuais em royalties, eliminando todos os obstáculos a uma previdência social digna aos seus cidadãos. Mas isto são fadas contadas. Como dizia Lima Barreto, cem anos atrás: “Cá e lá, más fadas há; e não é a última vez que torto ri-se do aleijado.”

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