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Acordo entre L’Oréal e Nestlé enfrenta incerteza

Morte de Liliane Bettencourt, acionista majoritária da L'Oréal, gera especulação sobre a relação com a Nestlé, que detém 23,2% das ações da empresa de cosméticos

Acordo entre L’Oréal e Nestlé enfrenta incerteza
Efeito dominó da relação entre a Nestlé e a L'Oréal ainda é uma incógnita (Foto: Flickr)

A morte não significa o fim das incertezas. A notícia da morte de Liliane Bettencourt, aos 94 anos, em Paris, em 20 de setembro, provocou uma onda de especulações de investidores em relação à L’Oréal, a maior empresa de cosméticos do mundo. A Sra. Bettencourt era a maior acionista da empresa que seu pai, um inventor de tinturas de cabelo, havia fundado em 1909. Desde então, seu valor de mercado aumentou para cerca de €100 bilhões (US$117 bilhões).

Sua morte não terá consequências imediatas para o futuro da empresa. Em 2010, depois do escândalo da divulgação de gravações feitas por um empregado de sua casa com políticos, advogados e amigos que queriam lhe extorquir milhões de euros, entre eles o ex-presidente da França, Nicolas Sarkozy, acusado de receber doações de campanha, ela foi considerada legalmente incapaz de administrar seus bens.

Há seis anos sua filha, Françoise Meyers, assumiu o controle dos negócios da família, inclusive da participação de um terço das ações da L’Oréal. Em 21 de setembro, a família reiterou seu “compromisso e lealdade com a L’Oréal” e com seu CEO, Jean-Paul Agon.

Isso sugere que não há grandes mudanças de curto prazo em uma das principais empresas do cenário corporativo da França. Mas os investidores estão atentos às possíveis mudanças no relacionamento com a Nestlé, que detém uma participação de 23,2% na L’Oréal. As especulações sugerem que a Nestlé, que já reduziu sua participação na empresa, poderia vender suas ações ou fazer uma oferta de compra da L’Oréal.

A morte da Sra. Bettencourt ocorreu no momento em que o novo executivo-chefe da Nestlé, Ulf Mark Schneider, iria apresentar seus planos aos acionistas em 26 de setembro. Além do descontentamento dos acionistas com o desempenho da empresa, que está perdendo mercado para concorrentes mais novos, a pressão aumentou com a compra de ações da Nestlé no valor de US$3,5 bilhões pelo fundo de hedge Third Point em junho.

Daniel Loeb, fundador e CEO do Third Point, insiste na venda da participação da Nestlé na L’Oréal. No entanto, a família Bettencourt não demonstra interesse em vender uma empresa, cujo preço das ações quase duplicou nos últimos cinco anos, com vendas no valor de €26 bilhões no ano passado e com a expectativa que os lucros deste ano atinjam o recorde de 18% das vendas. O efeito dominó da relação entre a Nestlé e a L’Oréal ainda é uma incógnita.

Fontes:
The Economist-A shareholder pact is rocked by Liliane Bettencourt’s death

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