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ACORDOS COMERCIAIS

América Latina busca se reconectar com o mundo

Governos da América Latina querem se reintegrar ao mundo globalizado, mas será recíproco o sentimento?

América Latina busca se reconectar com o mundo
Macri e o secretário de Estado dos EUA, John Kerry, que elogiou os atuais rumos da política argentina (Foto: Wikimedia)

“Da Argentina para o mundo” diz o slogan. Em setembro, o presidente Mauricio Macri recebeu 1.600 líderes empresariais em Buenos Aires, com a intenção de atrair investimentos para o país e estimular as relações comerciais. Essa iniciativa marcou uma grande mudança na política da Argentina.

Alguns países da América Latina, sobretudo os da costa do Pacífico, como México, Chile e Peru, sempre estiveram abertos à globalização. Outros países assumiram uma postura oposta. Incentivados pelos preços recordes da exportação de commodities, eles fecharam-se em seus assuntos internos e submeteram a economia ao controle do Estado, repetindo em menor escala o modelo que foi um fracasso na região na década de 1970.

A iniciativa do presidente Macri não é o único sinal de uma vontade renovada de se conectar com o mundo. O Congresso brasileiro pretende revogar a lei que deu à Petrobras o monopólio da exploração de petróleo em águas profundas. Michel Temer estuda rever as regras protecionistas no setor de petróleo.

No Equador Rafael Correa, um político populista de esquerda, que atribui o bom desempenho do país ao fato de não seguir as recomendações do FMI, planeja deixar a presidência do país no próximo ano após três mandatos e em meio a uma recessão econômica. Seu governo já recebeu um empréstimo emergencial de US$364 milhões do Fundo para a reconstrução de danos causados pelo terremoto em abril deste ano. É provável que o novo presidente procure um programa de empréstimos do FMI mais convencional.

Essas mudanças de atitude refletem uma dura realidade. Em razão do fim dos preços elevados das commodities, 2016 será o sexto ano consecutivo de desaceleração econômica na América Latina. A previsão do FMI de contração da economia de 0,4% este ano é resultado da recessão econômica no Brasil, Argentina e Venezuela. Segundo o Fundo, os dois primeiros irão se recuperar no próximo ano e a região terá um crescimento de 1,6%. Em outras palavras, mesmo os países que adotaram políticas macroeconômicas prudentes estão crescendo a uma taxa de apenas 3%.

A América Latina precisa conquistar novos mercados. Depois de anos de adiamentos, o Mercosul composto pela Argentina, Brasil, Paraguai, Uruguai e Venezuela, iniciou em abril negociações formais de assinatura de um acordo comercial com a União Europeia.

As lições do passado mostram que os países da América Latina podem diminuir a desigualdade econômica por meio de programas sociais. Além disso, uma política externa cautelosa demais agravou a situação da camada menos favorecida da população, como no caso da Venezuela. Agora, a América Latina  defronta-se com um fato incontestável que o mundo oferece menos oportunidades do que no passado. Portanto, será mais difícil recuperar o tempo perdido. Mas pelo menos em grande parte a região está no caminho certo.

Fontes:
The Economist-Of growth and globalisation

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