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Apesar de necessárias, as hidrelétricas podem gerar muitos problemas na China

Os grandes rios da China estão sendo represados sem que as consequências estejam sendo levadas em conta

Apesar de necessárias, as hidrelétricas podem gerar muitos problemas na China
Três Gargantas é a maior represa do mundo, e muito criticada por questões sócio-ambientais (Reprodução/AFP PHOTO)

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A China tem muitas boas razões para não construir a represa Xiaonanhai (US$ 5,2 bilhões) no rio Yangzi em Chongqing. O local, situado em um leve declive, o qual faz com que a água flua lentamente, não é ideal para a geração hidrelétrica. O solo fértil faz com que a região seja uma das mais produtivas da China, de modo que esta é densamente povoada por agricultores, os quais cultivam safras abundantes. E a represa, que produziria apenas 10% da eletricidade da usina de Três Gargantas, pode destruir uma reserva de peixes raros, ameaçando diversas espécies em risco, inclusive o esturjão do Yangzi.

No entanto não importa quão forte seja o argumento contra a Xiaonanhai, porque a luta contra os projetos hidrelétricos são perdidas antes mesmo de terem sido iniciadas. A economia política da construção de hidrelétricas é totalmente manipulada. Embora as autoridades chinesas tenham avançado bastante na avaliação de impactos sociais e ambientais das represas, a ênfase ainda é dada às construções, mesmo em casos nos quais seria difícil mitigar os danos. Os críticos batizaram esse esquema de “complexo hidroindustrial”: a China conta com exércitos de engenheiros hídricos e pelo menos 300 gigawatts de potencial hidrelétrico inexplorado. A capacidade total de geração em 2012 era de 1.145 GW, dos quais 758 GW vinham de usinas a carvão.

Um motivo importante para a China desenvolver o seu setor hidrelétrico é, ironicamente, o meio ambiente. A China precisa desesperadamente expandir a sua matriz energética ao mesmo tempo em que reduz a sua dependência de combustíveis baseados em carbono. O governo quer que 15% do consumo de energia venha de fontes limpas ou renováveis até 2020, em relação aos 9% atuais. A energia hidrelétrica, assim como a nuclear, é essencial para que essa meta seja atingida.

Os novos líderes chineses sinalizaram nos últimos meses que podem vir a querer mais represas, o que os levará a aprovar vários novos projetos ambiciosos, inclusive a represa em maior altitude do mundo, no rio Dadu.

O emblema mais controverso da hidroeletricidade chinesa é a represa de Três Gargantas, a maior do mundo, com uma capacidade de 22,5 GW. Em comparação, a represa Hoover, nos EUA, conta com menos de um décimo dessa capacidade. Muitos críticos dentro da China consideram que a construção da represa de Três Gargantas foi grande e perigosa demais. Eles alertaram que o enorme reservatório da represa, o qual inundaria os lares de mais de 1 milhão de pessoas, ficaria poluído e alteraria o fluxo e a ecologia do rio Yangzi. Eles também temiam que a represa pudesse causar terremotos, uma vez que se situa sobre duas grandes falhas tectônicas. No fim, no entanto, o poder político se impôs sobre o argumento científico.

Fontes:
The Economist-http://www.economist.com/news/china/21586538-great-rivers-china-are-being-dammed-regardless-consequences-opening-floodgates

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