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Política monetária

Aposentadoria prematura do programa de compra de ativos QE3

Se a estratégia de comprar ativos com dinheiro recém-emitido para estimular a economia é eficaz em determinadas situações e seus custos potenciais estão superestimados, por que o Fed não o mantém?

Aposentadoria prematura do programa de compra de ativos QE3
A preocupação com o risco de o QE criar uma instabilidade financeira perigosa é mais persistente (Reprodução/AP)

Em 29 de outubro o Federal Reserve (o Banco Central americano) anunciou o fim do Quantitative Easing 3 (QE3): o programa de compra de ativos iniciado em setembro de 2012 e que começou a diminuir em dezembro do ano passado. A compra de ativos com o dinheiro recém-emitido foi o principal instrumento da política monetária, desde que as taxas de juros dos países ricos caíram a quase zero em 2008-09. Apesar do uso disseminado desse processo de estímulo à economia, muitas pessoas ainda o consideram um instrumento exótico e possivelmente perigoso da política monetária. Isso suscita três perguntas importantes: o QE3 é eficaz, tem efeitos colaterais inaceitáveis e o Fed tinha razão de encerrá-lo?

Embora o QE3 seja com frequência descrito como uma forma “não convencional” de política monetária (oposta aos ajustes da taxas de juros), é uma prática em uso há algum tempo. O Federal Reserve usou o QE de 1932 a 1936, e o Banco do Japão adotou-o no início da década de 2000. Ambos o usaram de novo a partir do início da crise financeira, seguidos pelo Banco da Inglaterra.

No início da recessão a compra de ativos teve o objetivo de facilitar o crédito com a injeção de liquidez em mercados receosos. Ao longo do tempo, outros efeitos do QE revelaram-se mais importantes, como o reequilíbrio do portfólio de títulos.

Porém há um consenso entre os pesquisadores que o QE diminuiu os custos dos empréstimos e, assim, aumentou a produção e a inflação. Diversos estudos realizados nos Estados Unidos concluíram que o QE ajudou a reduzir as taxas de juros, com o consequente estímulo do crescimento econômico. Um trabalho recente de Martin Weale e Tomasz Wieladek do Banco da Inglaterra mostrou que para cada 1% do PIB gasto em títulos pelo Fed, a produção e a inflação aumentaram em cerca de 3%. Em razão do processo de deflação de muitas economias, mesmo um pequeno aumento na inflação não é um fato desprezível.

A preocupação com o risco de o QE criar uma instabilidade financeira perigosa é mais persistente. Mas, por outro lado, se o QE é eficaz em determinadas situações e seus custos potenciais estão superestimados, por que o Fed não o mantém? A história indica que nunca foi fácil encerrar um ciclo do QE. Enquanto as taxas de juros permanecerem em quase zero, qualquer novo acontecimento desagradável obrigará o Fed a usá-lo ou a assistir à deterioração da economia. O fim prematuro do QE3 é um bom indício de que haverá um QE4.

Fontes:
The Economist-Early retirement

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