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Apple precisa ter cuidado com suas operações financeiras

Apesar dos lucros recordes obtidos com a venda de seus produtos no mundo inteiro, a Apple precisa ser cuidadosa ao administrar suas operações financeiras

Apple precisa ter cuidado com suas operações financeiras
Após a morte de Jobs, os ativos da Apple Capital aumentaram 221% (Foto: Reprodução)

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É comum ouvir o comentário que as empresas de tecnologia vão dominar as empresas do setor financeiro. Mas não no caso da Apple. Desde a morte de Steve Jobs em 2011, a maior empresa do mundo em valor de mercado vendeu milhões de iPhones com chips biônicos e assistentes digitais. Porém, paralelo ao sucesso de inovação e vendas, as operações financeiras da Apple já equivalem a quase metade das transações financeiras do banco Goldman Sachs.

A Apple não concentra a administração de suas operações financeiras em uma única subsidiária. Nos Estados Unidos, o controle operacional dos ativos, compostos por títulos de curto e longo prazo de empresas e do governo, ações e outros instrumentos financeiros, é realizado pela subsidiária Braeburn Capital, com sede em Reno, Nevada. A Braerburn também administra a quinta maior dívida corporativa dos EUA, com a emissão de títulos da Apple como parte de uma sofisticada estratégia para reduzir o pagamento de impostos.

Assim como em Nevada, a Apple criou subsidiárias em países onde o imposto de renda é baixo, como Irlanda, Holanda, Luxemburgo e Ilhas Virgens britânicas, o que lhe permite diminuir o pagamento de impostos no exterior. Esse conjunto de subsidiárias, como resultado de suas atividades, poderia ser chamado de Apple Capital.

A Apple Capital tem US$262 bilhões de ativos, US$108 bilhões de dívidas e negociou US$1,6 milhão de títulos desde 2011. Apesar de a Apple ser uma empresa com um volume enorme de receitas, a experiência da General Electric (GE) e da General Motors (GM) e de suas subsidiárias financeiras durante a crise de 2008, recomenda prudência.

Após a morte de Jobs, os ativos da Apple Capital aumentaram 221%, um reflexo dos resultados financeiros espetaculares da empresa. Os investimentos correspondem a 32% do valor de mercado da Apple e os lucros desses investimentos equivalem a 7% do lucro da Apple este ano antes do pagamento dos impostos. Dependendo do critério de avaliação,o total de suas operações financeiras corresponde de 30% a 85% das operações do Goldman Sachs e de 22% a 42% da GE Capital em 2007, pouco antes da crise imobiliária nos EUA.

Mas, apesar do excelente desempenho, a Apple Capital está investindo em ativos mais arriscados, o que implica assumir riscos de crédito. Em 2011, a maioria dos ativos compunha-se de títulos do governo e dinheiro em caixa. Hoje, 68% estão investidos em outros tipos de títulos, sobretudo, em títulos corporativos, ao contrário dos outros quatro gigantes do Vale do Silício, Microsoft, Alphabet, Cisco e Oracle, que continuam a investir em ativos sem riscos.

De acordo com um executivo da Apple que saiu da empresa em 2012, seus gurus financeiros eram extremamente cautelosos, porque “ninguém queria receber a ligação de Steve Jobs às 3 horas da manhã”. A ameaça dos telefonemas de Jobs de madrugada não existe mais, mas é melhor não esquecê-los.

 

Fontes:
The Economist-Apple should shrink its finance arm before it goes bananas

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