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Ativistas podem salvar as empresas de capital aberto

Os gestores de fundos de hedge, que têm pequenas participações nas empresas, agem como ativistas políticos na tentativa de obter apoio dos acionistas para suas demandas

Ativistas podem salvar as empresas de capital aberto
Loucos, maus e perigosos, em geral os ativistas são detestados pelos executivos-chefes das empresas públicas por sua beligerância e oportunismo (Reprodução/Economist)

A empresa de capital aberto é uma das melhores invenções do capitalismo. As ofertas públicas iniciais promovem a inovação, ao proporcionar uma nova opção para os empresários; uma empresa de capital aberto expõe-se ao escrutínio; e pessoas comuns têm a oportunidade de investir nas máquinas de criação de riqueza do capitalismo. Mas nos últimos 15 anos uma sombra obscureceu o interesse e a confiança nas empresas cotadas em bolsa. Não existem sinais evidentes de controle ou criação de riquezas em fiascos como a Enron e o Lehman Brothers. A governança enfraqueceu-se com a ascensão dos índices de fundos passivos, o que significa que em muitas empresas os principais acionistas são programas de software.

Os investidores institucionais preferem vender ao primeiro sinal de problemas, em vez de administrar as crises e, por esse motivo, os executivos-chefes ficam obcecados pelos resultados trimestrais, dinheiro e poder. Por sua vez, os grandes investidores dizem que o modelo deles de concentração de propriedade faz mais sentido. Alguns governos alegam que as empresas precisam do controle firme do Estado. Mas existe uma estratégia mais eficaz. Os gestores de fundos de hedge, que têm pequenas participações nas empresas, agem como ativistas políticos na tentativa de obter apoio dos acionistas para suas demandas: representação nos conselhos de administração das empresas, corte de custos, desmembramentos e pagamentos de dividendos aos acionistas. Loucos, maus e perigosos, em geral os ativistas são detestados pelos executivos-chefes das empresas de capital aberto por sua beligerância e oportunismo. Porém o julgamento desses executivos está errado. Os ativistas, na verdade, podem salvar as empresas de capital aberto.

Os fundos de private equity podem também melhorar o desempenho de empresas em dificuldades. Mas os ativistas têm uma vantagem em relação aos bárbaros de Wall Street. Em vez de se endividarem para financiar a compra de empresas inteiras, eles fazem a aquisição com a participação, em geral, de apenas cerca de 5%. Nesse sentido, os ativistas têm um papel importante, porque se endividam menos, não pagam prêmio de aquisição e obtêm taxas bem inferiores em valor absoluto.

Os acionistas europeus e asiáticos dizem que não precisam de ativistas, porque têm mais poder do que os investidores americanos sobre os salários e compromissos dos gestores. E, por razões culturais, os poucos ativistas europeus tendem a ser mais diplomáticos e consultivos do que seus colegas americanos agressivos. No entanto, onde quer que haja mercados de ações existirão empresas com um desempenho fraco, executivos-chefes sociáveis, mas com capital sem agilidade. A empresa pública não pode ser uma máquina burocrática administrada por gestores distantes, que prestam contas a fundos gerenciados por computadores. A revolta dos ativistas ajudará a dar um novo estímulo às empresas abertas.

Fontes:
Economist-Capitalism’s unlikely heroes

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