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AMÉRICA LATINA

Banco Mundial destaca facilidades empresariais do México

No entanto, estudo deixa de considerar problemas nacionais como a corrupção e a situação econômica

Banco Mundial destaca facilidades empresariais do México
São necessários nove dias para registrar um novo negócio no México

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Todos sabem que o Brasil é o coração econômico da América Latina. De acordo com o Banco Mundial, isso talvez não seja verdade. Um estudo, publicado em novembro, mostra que o México é o lugar mais indicado na América Latina para abrir um negócio, seguido de perto pelo Peru e pela Colômbia. No ranking mundial, o México aparece no 35º lugar, à frente da Espanha e da Itália. O Brasil ficou no 127º lugar.

O estudo do Banco analisa as facilidades e os custos envolvidos no processo burocrático de instalação, desenvolvimento e fechamento das empresas. Ao todo, nove áreas foram levadas em consideração, desde o registro até o pagamento de impostos e o comércio com países estrangeiros.

O estudo não considera o estado da economia nacional, um campo no qual o México (cujo PIB caiu 6,6% em 2009, e deve crescer 5% em 2010) está bem atrasado em relação a outros países (a economia brasileira caiu 0,2% em 2009, e deve crescer 7,5% em 2010). O estudo não se propõe a ser uma lista dos lugares onde é possível enriquecer mais rapidamente. No entanto, oferece detalhes interessantes: o registro de um novo negócio, por exemplo, depende de seis procedimentos e nove dias no México; já na Argentina, o registro exige 14 procedimentos e 26 dias. As empresas mexicanas gastam 404 horas anuais pagando impostos, enquanto as empresas brasileiras gastam 2.600 horas.

Isso não quer dizer que não haja um bocado de burocracia, mas o governo mexicano tem feito sua parte. Em 2008, o presidente Felipe Calderón tratou de identificar e combater os pontos mais inúteis da burocracia mexicana, com a ajuda da tecnologia. “Ao invés de esperar na fila, empresários podem apostar na internet”, diz Dahlia Khalifa, co-autora do estudo. Empresas mexicanas podem pagar seus impostos online, algo que não acontece nos outros países da América Latina. São necessários seis pagamentos anuais, um dos índices mais baixos do mundo (na Ucrânia, por exemplo, são necessários 135 pagamentos). Ao todo, as firmas mexicanas gastam hoje 148 horas a menos pagando impostos, do que em 2004.

O cenário mostrado pelo relatório pode ser um tanto elogioso. “Há duas realidades no México”, diz Marco Escotto, da Escola de Negócios IPADE, na Cidade do México. “Algumas cidades estão no nível do primeiro mundo, mas outras estão muito atrasadas”. Sua pesquisa com empresários ao redor do mundo conclui que era necessário um período entre 10 e 68 dias para obtenção da licença, e que governos no norte do país tendem a ser mais simpáticos aos negócios que os do sul. Mas ele acredita que a situação está melhorando: “Há o sentimento entre os políticos locais de que, se a situação não fora aliviada, o município será menos competitivo”.

A corrupção, um problema constante no México, não foi considerada pelo estudo do banco Mundial, mas Khalifa acredita quer o aumento de negócios online dificulta a prática de pagamentos de propinas. No entanto, nem todos os mexicanos estão convencidos. Eric Fogo, que comanda uma loja que vende artigos para o Dia dos Mortos, ainda não abraçou a revolução digital. “É verdade, somos um país assolado pela burocracia”, diz ele. Em seus 49 anos à frente de sua papelaria, ela já viu lidou diversas vezes com o problema. “Mas com o governo aqui, é possível pagar pela internet, e eles podem dizer que seu imposto não foi pago. Melhor pagar pessoalmente, em dinheiro, e ganhando o recibo”.

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Fontes:
Economist - Israel, Austria...Mexico?

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