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Crise do euro

Beco sem saída

A cada dia parece mais provável que a Grécia sairá da zona do euro e os mercados financeiros estão reagindo nervosamente

Beco sem saída
Uma depreciação tornaria as exportações gregas mais competitivas (Reprodução/Internet)

Após as eleições europeias do último fim de semana tem-se a impressão de que os eleitores forçaram a Europa a reavaliar a crise. A Grécia está tendo dificuldade para formar um governo e qualquer governo que venha a emergir provavelmente fará pressão pela renegociação do acordo da dívida. Autoridades da zona do euro afirmam que isso está fora de questão. A cada dia parece mais provável que a Grécia sairá da zona do euro e os mercados financeiros estão reagindo nervosamente. Alguns consideram que já que a depressão e a fuga de cerébros é inevitável, pelo menos a Grécia recobrará a possibilidade de desvalorizar a sua moeda.

Uma depreciação tornaria as exportações gregas mais competitivas, mas isso não importaria muito no caos que se seguiria ao anúncio da saída. Tanto pessoas como capital sairiam correndo ao anúncio da saída de fato da Grécia, e uma desvalorização desmesurada do dracma criaria uma intensa pressão inflacionária. Isso por sua vez seria exacerbado pela necessidade de financiamento grega; apesar da profunda austeridade, o país continua a gerar um grande déficit e a tentação de tentar solucionar isso mediante a impressão de dinheiro seria grande. A hiperinflação se tornaria uma possibilidade. É difícil prever a dinâmica desses turbilhões, mas certamente uma situação como essa favoreceria os partidos minoritários.

As coisas podem também piorar para a zona do euro. Alguns argumentam agora que a exposição da resto da Europa à Grécia foi reduzida ao ponto de que a sua saída não causaria tantos problemas financeiros. Isto pode estar certo, mas a questão é se essa força poderá ser contida. Se houver contágio, e se os mercados atacarem a Irlanda, Portugal e talvez a Itália e a Espanha, a zona do euro pode ficar atordoada e ser conduzida a um colapso caótico.

A Europa tolerou o desconforto dos últimos anos porque as alternativas eram muito piores. Mas o fracasso constante em lidar realmente com a crise tem aumentado cada vez mais a chance de que alguma parte faça uma jogada perigosa.

Fontes:
The Economist - No way out

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3 Opiniões

  1. áureo Ramos de Souza disse:

    A situação da Grecia estar tornando a Europa em maus lençóis. É deixa eu aqui no morro do Ibura mais é em Recife-Brasil, sem crise isto crise de políticos corruptos mas isto vai passar, a Europa voltará a brilhar e o Brasil em 1º lugar bastante desenvolvido, não é sonho não é a realidade.

  2. Magda Lenard disse:

    Não tenho opinião sobre esse assunto. Ocorre que eu estudei muito e pesquisei a Grécia que instituiu essa Sociedade para a humanidade. Incrível, o país mais desenvolvido na época, com seus grandes filósofos Sócrates, Platão, Aristóteles, agora está como a “pedir esmola” á humanidade. Nunca fui favorável à criação desta Sociedade pelos gregos. Basta pesquisar, ler sobre a História da Humanidade e ficamos sabendo que há milhares de anos, talvez milhões, a vida nesse Planeta era livre. Havia imperatrizes, imperadores e ninguém dominava ninguém, muito antes desta Sociedade instituída pelos gregos. Os gregos desejarem ardentemente mudar a órdem da Natureza – a fêmea domina a natureza, é o direito materno – todo mundo nasce na barriga da mulher. Todo mundo vivia livre e em paz, mas os gregos não aceitaram e por isso instituíram essa sociedade a fim de reverter a órdem da natureza.E estamos vivendo uma mudança e a Grécia, infelizmente atravessa uma situação de difícil solução.Apesar de não concordar com esta Sociedade instituída pelos gregos espero que tudo seja solucionado e todos nós no Mundo possamos viver em Paz e solidariedade.

  3. renato disse:

    A maioria da população grega quer permanecer no euro, porém não quer pagar o prêço, e alguns líderes praticam o populismo aumentando a tensão. Acho que falta uma liderança para explicar muito bem a realidade ao povo e tentar convencer, pelo menos a maioria da população, a apoiar um govêrno que vá nesta direção. Por outro lado os gregos já foram submetidos a imensos sacrifícios e não sei se vão concordar a fazer mais. Em resumo, acho que a Grécia e alguns outros países não estavam potìticamente preparados para adotar o o Euro. Se a Grécia sair do Euro terá mais indepéndência para decidir sua política econômica como está na reportagem porém os sacrifícios serão de tal ordem que um regime ultraradical pode brotar destas entranhas e aí… pobre povo grego.

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