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INOVAÇÃO TECNOLÓGICA

Bosch investe em tecnologia de ponta

A Bosch investe em um projeto ambicioso de inovação tecnológica para competir em um mercado novo e complexo

Bosch investe em tecnologia de ponta
Outro investimento de destaque refere-se à mobilidade elétrica, com a produção de peças para carros elétricos, bicicletas, postos de recarga de baterias, entre outros projetos (Fonte: Reprodução/COUP/Moritz Thau)

A multinacional alemã Bosch tem 440 subsidiárias e emprega 400 mil pessoas em 60 países. É um gigante do setor de fabricação de autopeças, eletrodomésticos, sistemas de segurança, tecnologia de embalagem e produção de bens de consumo, com o selo de qualidade da indústria alemã.

Mas a empresa prefere ser chamada de “fornecedora de tecnologia e serviços”, ou “a empresa da Internet das Coisas (IoT)”. Em uma colina com vista para a cidade de Stuttgart, robôs cortam grama no jardim de sua sede. Dentro do prédio percebem-se os sinais de uma empresa em transição: os cartazes aconselham os funcionários a abolir as gravatas, a comemorar a “cultura do erro” e a “agir”, em frente a uma citação de Robert Bosch, o fundador da empresa: “O nome de minha empresa é um símbolo de excelência.”

A tentativa da empresa criada há 130 anos de fazer a transição para o mundo da tecnologia de ponta é um reflexo do valor atribuído cada vez mais ao desenvolvimento de softwares, serviços e de gerenciamento de dados. Quando os sistemas de processamento de dados e os equipamentos se unem, como no segmento dos carros autônomos ou na Internet das Coisas, os fabricantes correm o risco de se tornarem meros fornecedores de commodities. Mas a Bosch quer transmitir a imagem de um depositário confiável de informações. “O totalitarismo descrito por George Orwell no livro 1984, em que tudo gira em torno do Grande Irmão com suas ‘teletelas’ é um jardim de infância em comparação com o mundo da IoT. A noção de privacidade será reavaliada e a Bosch estará preparada para enfrentar o novo cenário do mundo físico conectado à internet”, disse Peter Schnaebele, diretor do departamento de desenvolvimento de casas inteligentes.

A Fundação Robert Bosch detém 92% do capital da empresa, o que lhe permite investir em projetos de inovação de longo prazo. Em 2016, a empresa gastou quase um décimo de sua receita de €73 bilhões (US$85 bilhões) na área de P&D. Há pouco tempo, inaugurou um campus de pesquisa em Renningen, com foco em pesquisa aplicada. A empresa também tem um fundo de capital de risco no valor de €420 milhões e uma incubadora de startups. Em um antigo depósito em Ludwigsburg, ao norte de Stuttgart, seis equipes de ex-funcionários trabalham para transformar as ideias mais radicais em negócios.

O CEO da Bosch, Volkmar Denner, diz que ainda vê o futuro da empresa como uma fabricante de componentes automotivos, de produtos industriais e de bens de consumo, porém, mais envolvida com o setor de tecnologia da informação. A Bosch criou a plataforma Bosch IoT Suite que conecta objetos físicos à internet e lançou, no ano passado, um programa de armazenamento em nuvem e um centro de processamento de dados, com o objetivo de ter mais flexibilidade e segurança na guarda, acesso e compartilhamento de informações. Além disso, a Bosch está investindo €1 bilhão na construção de uma fábrica de semicondutores em Dresden, onde serão fabricados chips em discos de silício para atender à crescente demanda da Internet das Coisas.

A empresa também está investindo em inteligência artificial (IA), com a criação de centros de pesquisa em Bangalore, Palo Alto e Renningen. Outro investimento de destaque refere-se à mobilidade elétrica, com a produção de peças para carros elétricos, bicicletas, postos de recarga de baterias, entre outros projetos. Cerca de 3 mil desenvolvedores trabalham em sistemas de assistência ao condutor, que ajudam os motoristas a dirigir com mais segurança.

As parcerias com outras empresas não fazem parte da cultura da Bosch, disse Lothar Baum, um cientista de dados. A Bosch ainda é vista como uma empresa muito conservadora, cautelosa e preocupada com os custos. Mas em seu processo de inovação tecnológica as parcerias, sobretudo, na etapa pré-competitiva, têm sido importantes, acrescentou Baum.

Resta saber o que acontecerá na fase de competitividade entre as grandes empresas que desenvolvem plataformas de IoT. Mas a Bosch aposta na qualidade de seus produtos para manter seu diferencial. Em outubro, sua câmera de segurança inteligente ganhou o Prêmio Alemão de Design, um reconhecimento oficial da excelência em design, concedido pelo governo da Alemanha. Seus eletrodomésticos são um sucesso de venda na Ásia. E, com certeza, seus investimentos em tecnologia de ponta a recompensarão com um papel de destaque no desenvolvimento da IoT no mundo inteiro. Ou será, que no contexto mais ambicioso de seus executivos, ela irá mais além?

Fontes:
The Economist - A German hardware giant tries to become an ultra-secure tech platform

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2 Opiniões

  1. Pierre R. P. Dieu disse:

    A linha de produtos eletrodomésticos lançada aqui no Brasil há alguns anos foi um desastre total em termos de qualidade e confiabilidade, a tal ponto que não existem mais aqui, enquanto na Europa são considerados como os melhores e mais confiáveis do mercado …

  2. Laércio disse:

    Políticas sérias direcionam um povo inclusive culturalmente, vejam que eles querem abolir a cultura da gravata, que, de fato é um adorno inútil…

    Deveria acontecer da mesma forma no Brasil onde a cultura é carregada de coisas inúteis fazendo com que o povo seja atingido por uma espécie de”cretinismo”, deixando assim de atentar para o que é realmente necessário.

    Políticos, algumas minorias e estrangeiros se aproveitam para tirar seus lucros de forma muito fácil desconsiderando que o Brasil ainda é uma nação.

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