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Brasil deve começar a exportar carne bovina fresca para os EUA em agosto

A expectativa do mercado é que Dilma anuncie a liberação em sua visita aos EUA em junho

Brasil deve começar a exportar carne bovina fresca para os EUA em agosto
Na prática, frigoríficos brasileiros até poderão exportar cortes nobres, como a picanha, mas a demanda americana é pela matéria-prima para hambúrguer (Foto: Flickr)

A abertura do mercado americano à carne bovina fresca do Brasil está perto de se tornar uma realidade, pondo fim a negociações que já se arrastam há cinco anos. Donos de frigoríficos e a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec) acreditam que a presidente Dilma Rousseff deve anunciar a liberação do acesso ao mercado americano durante sua visita aos Estados Unidos no final de junho.

O que Dilma deve anunciar é a publicação da “final rule” do Departamento de Agricultura dos EUA, uma versão final do regulamento habilitando 14 estados brasileiros a exportar carne in natura para os EUA. Faltará, no entanto, um último processo, com previsão de conclusão apenas em agosto: a determinação de quais frigoríficos brasileiros terão carta branca para exportar porque cumprem as exigências americanas de inspeção.

EUA: mercado estratégico

O Brasil já exporta carne bovina fresca para mais de 180 países, mas, segundo Fernando Sampaio, diretor-executivo da Abiec, a abertura do mercado americano tem valor estratégico porque os EUA são um mercado de referência no mundo. Embora o volume da exportação para os EUA será, a princípio, limitado a uma cota de no máximo 64 mil toneladas ao ano, a abertura cria um precedente que deve facilitar o acesso do Brasil a países do Nafta, Caribe e da América Central, além do Japão e Coreia do Sul, mercados que seguem os padrões de fiscalização sanitária das agências reguladoras americanas.

Os EUA são os maiores importadores de carne bovina do mundo, comprando quase um milhão de toneladas por ano. Além de ser um mercado imenso, os americanos tem interesse num produto que o Brasil tem de sobra: a carne magra, dita de segunda, que será processada para servir de matéria-prima para hambúrguer. A maior parte das carnes nobres — picanha, fraldinha, filé mignon etc — produzida no Brasil já tem endereço certo: o mercado interno, que abocanha 80% das vendas.

“Nós consumimos mais os cortes da parte traseira do boi”, explica Sampaio. “A dianteira a gente sempre exportou porque valoriza mais. O dianteiro mandamos para Rússia, Egito, e agora os EUA seriam uma alternativa a mais com preço bom.”

As próprias churrascarias brasileiras com filiais nos Estados Unidos dizem não ter interesse em exportar cortes de carne nobre do Brasil. Dono da Plataforma de Nova York, Alberico Campana explica que vários frigoríficos americanos já adotaram o corte brasileiro para atender à demanda de um mercado crescente de restaurantes brasileiros e churrascarias.

“A Plataforma do Rio nao enviará carne do Brasil para nós aqui nos EUA”, diz. “Na nossa opinião, nao existe melhor carne do que a americana no mundo. Também não acreditamos que o Brasil poderá competir com os preços daqui.”

 

O estigma da febre aftosa

O serviço de inspeção animal dos EUA (Aphis) já havia aprovado a abertura do mercado americano para a carne fresca brasileira de 14 estados no final de 2013, mas uma consulta pública foi prorrogada várias vezes pelo Departamento de Agricultura, até abril de 2014. Muitos pecuaristas e alguns senadores americanos de estados produtores de carne bovina se opuseram à medida e pressionaram o governo a manter o país fechado para a carne brasileira. Eles argumentam que o Brasil não está 100% livre da febre aftosa, uma doença viral altamente contagiosa que acomete os bovinos. Isso é verdade, mas a Aphis  exige apenas que regiões específicas do país estejam livres da doença para que processadoras destas regiões possam exportar para os EUA.

Segundo Sampaio, o argumento de que o Brasil representa um risco de febre aftosa é infundado. “Não tem sentido porque os produtores brasileiros irão exportar carne desossada que passa por um processo de maturação sanitária. A carcaça fica pendurada tantos dias, a uma certa temperatura, por recomendações da OIE [Organização Mundial da Saúde Animal], e isso é suficiente para eliminar qualquer risco de contaminação. Não há registro de nenhum caso no mundo de contaminação de carne desossada que passou por esse processo. Além disso, tem todo o sistema de vigilância no campo”.

 

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