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'UM CINTO, UMA ROTA'

China cada vez mais influente no mundo

Com a iniciativa ambiciosa de “Um Cinto, Uma Rota”, a China surge como uma potência cada vez mais influente no cenário internacional

China cada vez mais influente no mundo
Parceria com as multinacionais ocidentais dá credibilidade às empresas chinesas (Fonte: Reprodução/Pixabay)

“Benefício mútuo, responsabilidade conjunta e destino compartilhado”, canta um coro de estudantes entusiasmadas no vídeo “Um Cinto, Uma Rota, Vamos Cantar Juntos” produzido por Xinhua, um canal de notícias da mídia estatal chinesa, que mistura cenas de guindastes em meio a obras, envio de contêineres e pessoas em lugares no exterior. Criada pela China em 2013, a iniciativa “Um Cinto, Uma Rota” (OBOR) divide-se em dois projetos. A criação do Cinturão Econômico da Rota da Seda (Belt), uma rota terrestre da China a Europa, uma alusão aos antigos caminhos comerciais da Rota da Seda, e a Rota da Seda Marítima referente às antigas rotas marítimas.

A iniciativa OBOR se estenderá por 65 países e a China já investiu mais de US$900 bilhões em projetos que incluem desde autoestradas no Paquistão a ferrovias na Tailândia. As empresas multinacionais ocidentais estão vendendo bilhões de dólares em equipamentos, tecnologia e serviços para as empresas chinesas responsáveis pelas obras.

A General Electric (GE) vendeu US$2,3 bilhões em equipamentos para os projetos da OBOR em 2016, quase três vezes o total do ano anterior. Segundo estimativas de John Rice, vice-presidente da empresa, a GE deverá ter um crescimento de dois dígitos em suas receitas nos próximos anos. Outras empresas, como os gigantes do setor de engenharia, Caterpillar, Honeywell e ABB, DHL, uma empresa de logística, Linde e BASF, dois fabricantes de gás e produtos químicos, e Maersk Group, uma empresa de transporte, integram a relação de empresas envolvidas na iniciativa OBOR. Além de oito acordos comerciais firmados com o governo, o Deutsche Bank assinou um acordo com o Banco de Desenvolvimento da China para um financiamento conjunto de diversos projetos da OBOR.

No início, essa proposta de colaboração com empresas ocidentais surpreendeu alguns céticos. Afinal, ao longo dos 15 anos do processo de industrialização da China, as empresas do país realizaram projetos de infraestrutura com pouca ajuda de companhias estrangeiras.

No entanto, o governo alegou que os grupos chineses têm pouca experiência no exterior e que as empresas ocidentais oferecem uma vantagem tecnológica e um conhecimento profundo das condições locais dos países envolvidos nos projetos da OBOR. Além disso, a parceria com as multinacionais ocidentais dá credibilidade às empresas chinesas, sobretudo, com as instituições financeiras.

Apesar da presença majoritária de empresas chinesas, as companhias ocidentais têm um grande interesse em participar da iniciativa OBOR. Jean-Pascal Tricoire, executivo-chefe da empresa francesa Schneider Electric em Hong Kong, acredita que a OBOR é uma das oportunidades de negócios mais importantes do início deste século. Há pouco tempo, a Honeywell criou a equipe “East to Rest”, que gerencia a área de vendas e marketing de empresas chinesas no exterior. De acordo com as expectativas, a iniciativa OBOR, com seus projetos de grande porte e visão do futuro, se transformará em um significativo marco na história da globalização.

Fontes:
The Economist - Western firms are coining it along China’s One Belt, One Road

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2 Opiniões

  1. Beraldo disse:

    O capitalismo liberal perdendo terreno para o capitalismo de estado.

    Resta às democracias liberais se reinventarem.

    A China já influencia este processo.

  2. Lucinda Telles disse:

    No comunismo chinês – o único bem sucedido no mundo – corrupto ganha uma bala na nuca; talvez esse seja o segredo do seu sucesso.

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