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Manipulação ou mercado?

China volta a desvalorizar sua moeda, abalando mercados

País sustenta que desvalorização não se trata de guerra cambial, mas de uma maior influência do mercado nos rumos da moeda

China volta a desvalorizar sua moeda, abalando mercados
Yuan caiu 3,6% nos últimos dois dias (Foto: Wikipédia)

A moeda chinesa deslizou pelo segundo dia consecutivo nesta quarta-feira, 12, desestabilizando mercados mundiais e levantando novas dúvidas sobre a credibilidade da gestão econômica na China.

O yuan atingiu seu menor valor em quatro anos, chegando a 6,59 frente ao dólar no comércio internacional, uma queda de  3,6% nos últimos dois dias.

Leia também: China faz a maior desvalorização de sua moeda em 20 anos

Ao anunciar a desvalorização, o banco central chinês disse que sua intenção é permitir que as forças de mercado tenham uma influência maior sobre suas taxas cambiais, mas a medida aprofunda especulações sobre a verdadeira força da segunda maior economia do mundo depois de choques recentes, como a desaceleração do crescimento e o mergulho do seu mercado de ações em junho e julho. Além disso, a queda do yuan deu lugar a manchetes sobre uma possível guerra cambial e ameaçou elevar tensões comerciais com os Estados Unidos.

Economia abalada?

A ideia de que o Partido Comunista navegava a economia do país com uma precisão cirúrgica foi posta em dúvida durante o recente crash da principal bolsa chinesa. Algumas semanas mais tarde, os dados econômicos da China mostrando a manutenção do crescimento em 7% — apesar dos sinais generalizados apontando para uma desaceleração- foram amplamente ridicularizados pelos analistas como imprecisos e exagerados.

Mais manipulação?

Muitos analistas nos EUA e em outros lugares consideram a desvalorização do yuan como uma manipulação calculada para impulsionar a economia, aumentando as exportações chinesas em detrimento de outros países produtores.

Mas, a alegada decisão da China de tornar sua taxa de câmbio mais suscetível às flutuações do mercado parece vir em resposta a repetidas pressões do Fundo Monetário Internacional -, bem como dos Estados Unidos. A medida parece ter sido projetada, segundo especialistas, para influenciar na aceitação do yuan como uma moeda de reserva global, e especificamente na sua inclusão no grupo de reservas com Direitos Especiais de Saque, juntamente com o dólar, euro, iene e libra. A China certamente almeja esse status, em parte pelo prestígio que ele traz, mas também para erguer seu setor financeiro.

O movimento, no entanto, também foi provavelmente cronometrado para impulsionar uma economia e um setor de exportação em desaceleração. Muitos economistas concordam que a moeda estava supervalorizada.

 

 

Fontes:
The Washington Post - China’s credibility on the line as yuan slides again, global markets slump
The New York Times - China´s Currency Dilemma

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