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China

Chineses quebram tabu ao decidirem morar sozinhos

Com a ruptura dos laços familiares tradicionais, um número crescente de chineses decide manter sua liberdade pessoal

Chineses quebram tabu ao decidirem morar sozinhos
Agora, um número crescente de chineses tem o livre-arbítrio de escolher o tipo de vida social e sexual que quiserem (Foto: Pixabay)

No apartamento minúsculo, que divide com dois gatos e um conjunto de corujas de porcelana, Chi Yingying conta como seus pais tentaram controlar sua vida nos mínimos detalhes. Quando só tinha 20 e poucos anos, sua mãe repreendeu-a por ainda estar solteira. Aos 28 anos, Chi tomou “a decisão mais corajosa da sua vida” e foi morar sozinha. Agora aos 33 anos, a privacidade conquistada é muito importante em seu cotidiano, apesar do custo alto: quase metade de seu salário é gasto com o aluguel de 4.000 yuans (US$625) por mês.

Em muitos países a decisão de sair da casa dos pais bem antes do casamento é um rito de passagem. Mas na China a escolha de viver sozinha e solteira como a opção de Chi Yingying é quase um tabu. A cultura chinesa atribui uma importância muito grande à ideia que as famílias devem viver juntas. Porém as pessoas cada vez mais optam por ter uma vida fora do núcleo familiar, uma tendência que duplicou na década de 2010.

Atualmente, mais de 58 milhões de chineses vivem sozinhos, segundo os dados de um censo demográfico, em uma proporção de 14% de todas as casas, um número maior do que o total de pessoas que moram sozinhas nos Estados Unidos, Grã-Bretanha e França.

O padrão de escolha dos chineses de morarem sozinhos é diferente dos hábitos do Ocidente, porque dezenas de milhões de trabalhadores (sobretudo pobres) migraram para regiões mais prósperas da China em busca de trabalho; muitos vivem sozinhos, quase sempre em lugares minúsculos. No entanto, em geral, os jovens chineses que decidem morar sozinhos têm um bom poder aquisitivo.  “A liberdade e o dinheiro” romperam as estruturas familiares tradicionais da China, disse Jing Jun da Universidade de Tsinghua em Pequim.

Para alguns, viver sozinho é uma transição entre o casamento, um novo casamento ou um retorno à família. Mas para um número crescente de chineses é uma escolha de vida e não uma etapa. Nas cidades, muitas mulheres cultas ficam solteiras por opção, quase sempre positiva, por ser um sinal de status e de melhores oportunidades de emprego.

Antes, ao chegarem à idade adulta os chineses, com pouquíssimas exceções, casavam e tinham filhos, de acordo com as estruturas tradicionais da região rural ou urbana. Agora, um número crescente de chineses tem o livre-arbítrio de escolher o tipo de vida social e sexual que quiserem.

 

Fontes:
The Economist-Young, single and what about it?

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