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Zona do euro

Chipre adia votação sobre plano de resgate

Plano de ajuda inclui taxação polêmica sobre depósitos bancários; governo teme 'colapso absoluto do setor bancário'

Chipre adia votação sobre plano de resgate
Manifestantes cipriotas se opõem ao uso de fundos de correntistas para pagar resgate (Reprodução/Internet)

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O Parlamento de Chipre adiou pela segunda vez nesta segunda-feira, 18, um voto de emergência para pôr em prática um plano de resgate de € 10 bilhões. O presidente Nicos Anastasiades enfrenta uma forte oposição entre parlamentares e parte da população da ilha.

O plano de resgate, acordado na madrugada de sábado, em Bruxelas, provocou uma reação imediata entre cipriotas e a rejeição de  parlamentares, que o veem como uma ruptura da tradição europeia recente: pela primeira vez desde o início da crise da dívida soberana da zona do euro e dos resgates da Grécia, Portugal e Irlanda, correntistas comuns – incluindo aqueles com contas seguradas – seriam forçados a suportar parte do custo do plano, € 5,8 bilhões, através de taxas sobre as suas poupanças. Resgates anteriores foram financiados por todos os contribuintes.

Anastasiades advertiu no último domingo que se o país não aprovar o pacote, a economia da ilha sofrerá um grande choque, incluindo o possível “colapso absoluto do setor bancário” e a possibilidade de que tenha de abandonar a zona do euro.

A votação no foi marcada para terça-feira às 16 horas locais, segundo o Parlamento, mas ainda há a possibilidade de que seja adiada até sexta-feira.

Repercussão nos mercados

As incertezas no Chipre forçaram a queda do euro e abalaram os mercados de ações europeus nesta segunda-feira. Os principais pregões abriram em baixa e seguem no vermelho. Investidores veem a medida como um intervencionismo perigoso, que pode criar um precedente para que outros países do bloco, Itália e Espanha, por exemplo, sigam o exemplo e interfiram nas poupanças de correntistas. Muitos estrangeiros usam o pequeno país europeu como paraíso fiscal.

Existe também o medo de que haja um movimento em massa da população de retirar  dinheiro de poupanças, o que preocupa investidores e repercute nos mercados. O governo decidiu manter bancos cipriotas fechados pelo menos até sexta-feira, estendendo um feriado bancário que deveria terminar na segunda-feira. A medida visa impedir o esvaziamento de poupanças.

 

 

Fontes:
The New York Times - Cyprus Delays Vote on Bailout Plan

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